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sábado, 20 de janeiro de 2018

Olá, eu sou a i. e devo achar que sou mãe dos meus amigos


Apercebi-me (ou admiti a mim mesma) recentemente que nunca vou achar @s namorad@s d@s meus/minhas amig@s do coração totalmente perfeit@s (a não ser que sejam também meus/minhas amig@s... e mesmo assim não é de fiar... aliás, não, nem assim). Calculo que seja um sentimento parecido (não igual) ao de mãe, de protectora, de alguém que gosta incondicionalmente e que quer o melhor dos melhores para a pessoa em questão. No entanto, isto é algo difícil de gerir dentro de mim... São todos maiores de idade e eu não tenho de me meter na vida de ninguém. Nem o faço, a não ser que me perguntem directamente o que acho (nesse caso... é um pau de dois bicos).
Reparem que eu não disse que não gosto d@s namorad@s. O "problema" é que separo muito bem a parte da personalidade da parte do "és bom/boa namorad@". Uma das primeiras vezes em que senti isto foi em relação a um rapaz de quem eu gostava muito, achava que ele era uma excelente pessoa... Mas estava a fazer mal à minha amiga, ela estava infeliz. Também tenho casos opostos, em que se calhar pessoas com quem não me identifico são excelentes companheiros e é isso que importa.
Eu às vezes tento não ser assim. Tento pensar "é com eles, não tenho de pensar x ou y". Porém, é mesmo muito complicado... Não é difícil estar calada/mostrar boa cara, basta pensar que não queria que fizessem o mesmo comigo em certas ocasiões (eu tenho telhados de vidro). Mas é difícil pensar as melhores coisas de pessoas que tratam aqueles de quem eu gosto de forma injusta, de forma inferior à que eles merecem.
No entanto, há relações perfeitas? Vai haver mesmo alguém a não ter falhas? A não ter direito aos seus momentos maus? Às suas fraquezas? Eu sei que não. Eu sei que não é simples. Mas... Para os meus... Para aqueles de quem gosto mais do que qualquer coisa... Devia haver.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Desabafo das 02h e tal

O fim de 2017 não veio acompanhado de grandes planos, nem de desejos grandiosos. Tenho perfeita noção de que 2018 não me vai trazer as duas coisas que mais quero: independência (e quando digo independência não digo auto-suficiência) e viajar (porque o bichinho nunca desaparece). No entanto, sei que 2018 pode ser um ponto de partida para algo maior... E foi mesmo isso que desejei.
O meu pedido materializou-se no dia 3 de Janeiro, sob a forma de um telefonema. Quase chorei de alegria! Por muito que não fosse o plano ideal, era a primeira porta a abrir-se em meses e fiquei feliz. No entanto, eu devia saber que nada - mas mesmo nada - é fácil e linear na minha vida. Desde esse dia, já andei para a frente, para trás e para os lados. As lágrimas foram sempre de frustração e nunca de felicidade. Já estou num ponto em que, mesmo a resolver os problemas de dia para dia, prefiro estar de pé atrás e questionar "será?".
Dizem que as coisas sabem ainda melhor quando lutamos por elas. Eu concordo absolutamente, mas porque é que depois das minhas lutas - que parecem vitoriosas - tem de sempre surgir algo para me fazer sangrar mais um bocadinho? As conquistas sabem-me simplesmente a frustração. Sempre.
Eu tento - e tento mesmo - ser agradecida pelo que tenho, pelo que a vida me traz e proporciona. Era mesmo necessário pôr-me à prova constantemente?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Desabafo... E agora adeus, que vou continuar o trabalho

Ver o tempo a passar e os meus objectivos a não serem cumpridos (apesar de estar a trabalhar arduamente para eles) é frustrante e, pior do que tudo, desgastante. Hoje tive um ataque de choro quando estava a acabar de almoçar, nem sei o que se passou... Só tive de tempo de pegar nas minhas coisas e ir embora. Não quero preocupar as pessoas cá de casa, até porque eles não compreenderiam.
Eu "gosto" de chorar, no sentido em que sei que ajuda a aliviar o que vai cá dentro. No entanto, ando há meses e meses a contrariar isso... Aliás, tenho lá tempo para chorar! Por isso surgiu assim. Do nada. Duma maneira tão profunda e descontrolada. Nem a respiração consegui controlar durante um bom bocado...
Entretanto, limpei as lágrimas e continuei a trabalhar. Lamentar-me não resolve problemas nem adianta trabalho.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ainda das minhas diferenças em ir para fora

O presente post não serve para me explicar, continua a servir como um desabafo. As minhas queridas leitoras mencionaram o lado emocional e financeiro da emigração... E isto fez-me reflectir, uma vez mais, no assunto. De certa forma, estão os dois um bocado ligados... Eu sei que não parece, mas passo a explicar.
Condição nenhuma financeira paga os momentos que, muitas vezes, perdemos com as nossas pessoas. O grande problema é que, muitas vezes, perdemo-las no próprio país. Como já referi, o mais importante para mim nem é o dinheiro (aliás, se fosse, estaria a limpar escadas na Suíça, porque se ganha quatro vezes mais do que como engenheira aqui!), é mesmo o facto de estar a fazer algo de que gosto. Dentro de Portugal, a única opção para trabalhar na minha área (não no que gosto mesmo, mas na minha área - o que já é bom) seria em Lisboa ou talvez no Porto, o que implicaria estar fora de casa.
"Mas é perto, podes ir ao fim-de-semana, é fazível". Será que posso? Tenho amigas da minha zona a trabalhar e viver em Lisboa que raramente vêm a casa porque o dinheiro não estica. Na semana passada, questionei uma delas sobre o facto de não vir votar, e ela disse-me que simplesmente não dava para gastar esse dinheiro. Depois de pagar casa, comida e transportes, pouco sobrava. Eu sei que no meu caso seria diferente, a minha mãe ajudar-me-ia... Mas o ponto não é passarmos a ser independentes? Isto revolta-me no nosso país.
Como estava a dizer, a parte emocional, no meu caso, está muito associada à parte financeira também. Sabem porquê? O que eu gostava mesmo mesmo era de pegar nas malas e atravessar o oceano. Nos Estados Unidos, há IMENSAS oportunidades dentro do que eu gostava de fazer. Mas, infelizmente, isso faria com que fosse impossível vir passar um fim-de-semana a casa... Ninguém quer pagar 800€ para tal, só em estadias longas é que faz sentido. Recentemente, preenchi o formulário de candidatura a duas vagas, uma em Boston, outra em Baltimore (penso). Antes de submeter, fechei a janela... Não consegui. O Skype e os telefonemas ajudam muito quando a diferença horária é de 1 ou 2 horas. Mais do que isso, não funciona... É melhor do que nada, claro que sim, mas não é bom.
Estas questões nem se levantam apenas por mim (que, indo sozinha, teria de passar pelas desvantagens que isso implica). Sou filha única, a minha mãe está "sozinha" e eu sinto esse peso. Os meus avós estão velhos e já não me resta assim tanto tempo com eles. Os meus primos estão a crescer e eu não acompanho. O meu namorado que, por muito que eu diga e aconteça que sou forte e independente, me custaria deixar noutro país a um nível incalculável. E os meus amigos... Ai, os meus amigos. De cada vez que vejo fotos, planos e coisas mais íntimas, só eu sei como me dói.
Por isso é que a Europa Central (não me interesso tanto pelo Norte e pelo Este, mas não está totalmente de parte) seria o meio termo que me permitiria fazer algo de que gosto e ter o estado emocional mais equilibrado. Possivelmente, o financeiro até ficaria pior no meio desta história toda... Gastar dinheiro para vir ao fim-de-semana a casa (de vez em quando, também não é sempre!) não ajuda à conta poupança :P Mas, da minha perspectiva, seria mais feliz.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Das (minhas) diferenças de objectivos em ir para fora


Conheço muita gente que emigrou pelas mais diversas razões. No tempo dos nossos pais, era mais comum que pessoas com menos qualificações partissem em busca de melhores condições de vida. Actualmente, são mais os casos de pessoas especializadas e com Educação Superior que não têm oportunidades de trabalho no nosso país e que vão lá para fora tentar trabalhar na sua área. Claro que acabo sempre por conhecer um caso ou outro que fogem à regra, e até casos que não têm nada a ver, mas é bastante fácil de verificar que isto acontece.
No entanto, eu vejo que as pessoas que emigram, fazem-no (quase) sempre a idealizar que um dia irão ter as condições reunidas para voltar a Portugal. A fazer o que gostam, a ganhar mais do que ganhariam agora, com poder de compra para terem uma casa e uma vida estável no nosso país, na nossa nação. Ao fim e ao cabo, na nossa casa.
Depois existo eu... De certa forma, tenho uma grande componente emocional ligada a Portugal e, por isso, compreendo essa necessidade de voltar. Especialmente, quando se imagina uma família a longo prazo, em que queremos que os nossos filhos sejam próximos dos restantes membros da família e que tenham um percurso relacionado com o nosso. Mas, por outro lado, sinto-me profissionalmente castrada e penso que daqui a 15/20 anos o cenário não vai mudar assim tanto em termos de oportunidades na minha área. Não julgo que a Península Ibérica possa vir a ser um grande poço de tecnologia, inovação e desenvolvimento (espero estar enganada).
Às vezes, perguntam-me se é fácil arranjar trabalho em Portugal. A resposta é: sim, é. Há muitas empresas a contratar Engenheiros Biomédicos. Agora, se a pergunta for: consegues fazer o que gostas em Portugal? A resposta muda e passa a ser: é difícil. Nem vou falar da forma ridícula e desrespeitosa como os portugueses vêem a investigação fora das grandes empresas, simplesmente não há essa oportunidade. Empresas a trabalhar directamente na minha área? Muito poucas. No campo muito específico em que eu gostava? Nenhuma, talvez.
Então, porque é que eu não vou para fora? Tenho andado a tentar, mas nem lá fora é fácil. A diferença a que me referia em relação aos outros emigrantes é que, na maioria dos casos, eles reúnem condições monetárias para voltar. No meu caso, se eu ficar cá, vou tentar reunir condições de formação para sair. Cursos de línguas, formações específicas, quem sabe estudar mais (não para já, claro)...
O importante é não me conformar com o "assim assim", com o "é suficiente" que o nosso país me oferece. Para muitos, acredito que seja o ideal e ainda bem, mas se para mim não é, tenho de fazer o que está ao meu alcance para atingir os meus objectivos. Os objectivos mudam e adaptam-se às circunstâncias, mas simplesmente desistir e conformar-me com "qualquer coisa" não é para mim.

sábado, 5 de agosto de 2017

sábado, 29 de abril de 2017

Tudo tem prós e contras, até isto


Olá desde há uns dias... A inércia deu cabo de mim e, por mais que eu começasse posts, acabava por apagar o que tinha começado e depressa mudava de separador.
Estou em Portugal faz hoje uma semana, daqui a três dias volto para Genebra. Avaliando esta semana, parece que não fiz nada de especial... Passou a correr.
Durante os últimos cinco anos, eu não vinha assim tão regularmente a casa (sem contar com as férias), pelo que não é assim tão estranho chegar cá e ser quase como era antes. No entanto, há pessoas que vejo muito menos - nomeadamente a minha mãe e os meus amigos - e aí a conversa já é outra.
Estar cá é tão bom e tão mau. Acho que não vale a pena explicar por que motivo é bom, mas a parte má prende-se muito ao facto de me deparar com o que estou a perder com as minhas escolhas. Não quero com isto dizer que não há uma parte boa em estar lá fora... Claro que há. Mas exige tantos sacrifícios emocionais, dos quais me apercebo muito mais quando cá estou.
Eu acho que não conseguiria restringir a minha vida a este sítio, sentir-me-ia incompleta. Mas uma grande parte do meu coração ficou por aqui...

sábado, 15 de abril de 2017

Big kid


Não sei muito bem como, dei por mim a reflectir em como eu era uma criança estupidamente adulta. Às vezes mais do que hoje em dia. Ser filha de um pai deficiente e exigente é o mesmo que seres entregue aos lobos. Ou ages, ou ages - não há um plano B.
Ele levava-me aos bancos, a compartições das finanças, etc. etc., que muitas vezes eram em edifícios antigos sem acesso para cadeiras de rodas. E lá ia eu... "boa tarde, o meu pai é o X (como se eles não soubessem já), ele está lá fora e não pode entrar. Ele precisa de fazer isto e isto, depois posso levar lá fora para ele assinar?". Não havia tempo de antena para a vergonha ou para a timidez. É como disse, ou ages, ou ages.
Foi assim que, com 4 anos, eu passava cheques. Algures na primária comecei a preencher documentos burocráticos relacionados com a actividade profissional do meu pai. Na altura, não vou dizer que gostava de o fazer... Claramente não gostava da obrigação que sentia, consigo ver isso agora. Não gostava de não ter outra opção para além de enfrentar pessoas desconhecidas - algo que nunca gostei e ainda hoje não gosto. Claro que o faço, só não gosto. A minha mãe chegou a atirar-me à cara que com o meu pai eu não tinha problemas em fazer X ou Y. Olha, boa, não tinha outra hipótese.
Felizmente ou infelizmente, a capacidade para dizer "não quero", "não consigo", "não posso" chegou tarde. Sei que ainda lhe dei umas quantas frustrações com o "não consigo", todas relacionadas com a minha fraca capacidade para trabalhos manuais. Não é que eu não tentasse, mas lembro-me de uma vez em que estávamos só os dois - tinha eu 12 anos, a minha avó tinha morrido há pouco tempo e ele queria à força que eu acendesse a lareira. Eu tentei, mas cheguei a um ponto em que claramente vi que não estava a conseguir e desisti de tentar. Ele exaltou-se de uma forma louca (agora, de fora e 11 anos depois, consigo perceber o porquê, o sentimento de incapacidade total), mas eu mantive a minha posição. Claro que parece estúpido, de criança mimada que não quer fazer mais... Mas eu também tinha direito a dizer que não, a definir limites.
Não me estou a queixar da minha infância. Não foi a melhor, mas também não há-de ter sido a pior neste mundo. Tinha comida, várias casas (pois é, vantagens de ser filho de pais separados) e pessoas que me amavam. Também não me acho mais do que ninguém por ter passado por isto... Até acho que as crianças são demasiado protegidas do mundo real. Mas não deixa de ser irónico que, com aquela idade, fosse muito mais corajosa e lutadora do que me julgo agora. Possivelmente, tudo para o deixar orgulhoso...

domingo, 9 de abril de 2017

Olá, eu sou a i. e digo que quero ser investigadora. Lol.

Não se deixem enganar por pessoas sorridentes e felizes a fazer investigação. Só mentiras!

Esta semana que passou foi uma das piores desde que aqui cheguei. Acho que nunca me tinha sentido tão impotente e perdida... Depois de uma apresentação que me deixou muitíssimo nervosa (pensei que ia ser muito pior, ajudou o facto de me preparar com antecedência), experenciei momentos muito infelizes. Momentos de desespero, de impotência, de frustração. Momentos em que eu pensava o quão burra e estúpida sou. Tudo isto a juntar ao facto de o meu projecto estar super atrasado, ter chegado a um ponto em que tudo está a correr e mal e não temos a certeza de que o que vamos fazer a seguir resulte. Enfim... Foi depressivo e cansativo. Principalmente, porque tenho de fingir manter o optimismo em como tudo vai melhorar... Não vai.
Consigo entender totalmente a razão que leva as pessoas a desistirem de investigação e irem pentear macacos (isto para dizer que pentear macacos às vezes deve ser melhor). E o que sei eu do assunto? Sou uma mera estudante de Mestrado, com zero experiência na área... Imagino como é para quem lida diariamente com o assunto há anos. O pior? O pior é que mesmo dizendo e sabendo que o que estou a dizer é verdade, continuo a dizer que quero fazer investigação. Não sou psicóloga, mas algo não bate certo na minha cabecinha... Como é possível alguém gostar de algo que a faz sofrer e não se considerar masoquista? Que me perdoem os investigadores, mas eu só consigo explicar isto com um Complexo de Deus qualquer (lá estou eu outra vez a invocar coisas de que não percebo)... Ai e tal, somos tão bons, vamos fazer a ciência avançar, trazer algo de bom para a sociedade. Bullshit é que vamos. Vamos só ser deprimidos e frustrados durante, pelo menos, 80% dos nossos dias. Amém.

sábado, 1 de abril de 2017

Dinâmica de casal

Ontem estava a queixar-me de que estive poucas vezes com o L. este ano. No entanto, o "problema" é bem mais profundo, porque vem de trás. Antes disso, estive quase três meses sem o ver de todo... Antes desses três meses, foram as férias do Verão e, não podendo dizer que não o vi de todo, também não posso dizer que tivemos espaço de manobra para fazermos muitas coisas só os dois - porque não tivemos. Mesmo agora, metade do tempo que passei com ele não foi propriamente passado como casal, porque o ambiente não o permite.
Isto, por muito que eu não queira, faz-me fraquejar muitas vezes. Faz-me ficar insegura, nervosa, sem rumo. Não estou a dizer que me faz querer deitar tudo a perder, mas noto-me muito mais resmungona e pessimista na nossa relação. Tudo me afecta, tudo me parece um problema. As coisas negativas são aumentadas e as positivas quase passam como despercebidas. Não sei que género de reacção é esta, talvez um mecanismo estúpido de defesa que estou a criar por me sentir triste com isto.
Eu sei realmente o que me falta. Falta-me a nossa dinâmica como casal. Falta-me o "onde vamos jantar?", "o que vamos cozinhar?", "a que horas sais que eu passo aí?", "tu fazes isto, eu faço aquilo", "na tua casa ou na minha?", "amanhã dá-me mais jeito", "vamos como?", "passa aqui rápido para eu te dar um beijinho". Um casal precisa de rotinas, precisa de uma zona de conforto boa (de onde também é muito bom sair, of course), precisa de saber que terão sempre os braços um do outro. É isso que me falta. Que nos falta.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Hidden facts

Todos temos um lado negro que nos embaraça, de certa forma. Às vezes, não na altura em que está mais realçado, porque o ciclo de pessoas que nos rodeia contribui para tal; no entanto, algum tempo depois, o contexto muda e temos vergonha de admitir alguns hábitos.
No meu caso, é a música. Eu gosto de boa música, de clássicos. Ainda assim, há um "problema" nos meus gostos... A minha adolescência foi cheia de "espanholadas" várias e de hip-hop tuga (nada a ver entre si), o que faz com que - cá no fundo - eu me divirta muito a ouvir coisas do género. Assumo aqui e agora, sem vergonha.
Como tal, não esperem uma playlist muito linear da minha parte. Se forem às minhas últimas músicas reproduzidas no computador do laboratório, estão lá Ed Sheeran e Arctic Monkeys, e depois coisas como:


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A minha relação com a religião


Não sou a católica mais praticante de sempre. Não presto homenagens. Não faço promessas a entidades divinas. Sou algo céptica em relação a tantas, mas tantas coisas... Até porque sou cientista, não faz sentido não questionar. Mas, ainda assim, sou crente e não tenho problemas em admiti-lo.
Há uns meses, em conversa com um amigo que não tinha essa noção sobre mim, ele questionou-me, já não sei bem como... Só sei que respondi: "Às vezes, as pessoas precisam de acreditar". Possivelmente, é esse o meu grande motivo... Ainda assim, mesmo que com um motivo tão "egoísta" (porque a necessidade é egoísta), posso dizer que nos três grandes eventos religiosos que presenciei no ano passado, senti uma força espiritual muito grande... Que vai de encontro à minha crença.
Não me interpretem mal. Eu não suporto pessoas que desculpam tudo o que de mal lhes acontece com "Deus assim o quis". Às vezes, apenas não lutam o suficiente e a existência de uma entidade superior serve como escapatória. Não... Mas às vezes, quando o desespero e a tristeza é tanta, pode ser necessário pensar que "seja o que Deus quiser".
Também não suporto pessoas mesquinhas, mas que por irem à igreja regularmente já acham que podem ser consideradas boas cristãs. Não... Vai muito além disso. Eu, pessoalmente, cada vez sou mais uma pessoa de agradecer. Sinto uma necessidade muito maior de agradecer do que de pedir... Não sei, penso que o que posso ou não alcançar depende de mim, mas as oportunidades estão lá e devemos agradecer por elas. Claro que isto é totalmente pessoal e não acho que devemos julgar as crenças de cada um...
Esse meu amigo de que falei na altura respondeu-me que a religião é uma excelente forma de lidar com a morte. E é mesmo... Não que eu acredite em várias vidas, porque - mais uma vez - como pessoa das ciências, eu consigo ver que acabou ali. A vida é uma passagem, um tanto ou quanto aleatória, nós é que precisamos de lhe atribuir um sentido, para sentirmos que temos um propósito. Ainda assim, apesar deste cepticismo, eu tenho sentimentos... E há alturas em que, aconteça o que acontecer, esteja onde estiver, preciso de sentir que quem já partiu está comigo.
Uma vez, uma pessoa muito mais espiritual do que eu, disse-me que há pessoas que têm de se sacrificar e partir para nos deixarem livres e continuarem a tomar conta de nós. Não vou tão longe... Não consigo, pelo menos nesta fase de vida, concordar com esse pensamento. Também não tenho opinião formada sobre céus e infernos e outras coisas que tal... Porque não tenho como saber e acho que é apenas uma forma encontrada para nos levar a praticar o bem (que todos devíamos praticar, independentemente das nossas crenças). 
Sem dúvida que a religião me ajudou muito mais a estar em paz com a morte, mas - e agora vem o grande mas - deixa-me completamente de rastos em relação às injustiças da vida e ao estado do mundo. E é aqui que me encontro sempre numa encruzilhada de questões que não tenho (ainda) como responder.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Sentimental q.b.

Durante anos da minha vida, o ritual de Ano Novo imediatamente pós-meia-noite era ligar para a minha mãe e, logo de seguida, para o meu pai. Breves minutos após a meia-noite, liguei para a minha mãe e, logo de seguida, durante uma breve fracção de segundo, formou-se na minha mente o pensamento automático "e agora vou ligar para o pai". E tem sido assim desde 2010, o ano em que ele morreu. Não há nenhuma destas passagens de ano em que não aconteça essa incrível fracção de segundo em que a minha mente me encaminha para uma chamada impossível de realizar.
Mas não é só nesse momento de cada Ano Novo que o meu pai ressuscita e se torna quase sobrenaturalmente presente. O outro é este: o lendário Concerto de Ano Novo, transmitido em directo de Viena pela RTP, todos os anos. Isto para mim é como o Natal ele próprio - desde miúdo, altura em que seria natural achar que uma hora de concerto de orquestra na TV era uma seca, que o Concerto de Ano Novo é um ritual incontornável, que juntava à volta da TV a família toda, algures entre o amor pela música e o amor pelas raízes austríacas. Entre a quase chamada telefónica da meia-noite e o lendário concerto das 10 e meia, 1 de Janeiro é claramente o dia em que o meu pai prova que há vida após a morte. Para mim, ele está aqui, em cada nota musical destas peças clássicas que ele amava e conhecia ao detalhe, em cada paisagem de Viena, em cada pormenor do nobre salão do Musikverein. Ele nunca esteve nesta minha casa, mas enquanto o Concerto de Ano Novo decorre, é como se ele estivesse aqui neste sofá.
Bom ano, pai!

Li este post do Nuno Markl e as lágrimas vieram-me instantaneamente aos olhos (ainda que de forma controlada). Revi-me, porque durante muito tempo tive o mesmo instinto de pegar no telefone e ser suposto ligar-lhe. Cheguei ao ridículo de estar ao telemóvel, o telefone de casa tocar à "hora habitual" e eu dizer "tenho de desligar, o meu pai está a ligar-me", para depois cair no choque.
Ontem à noite, a sair da terra do meu pai quase às 2h da manhã, pensei em tanta, mas tanta coisa... Pensei em como nunca tinha passado uma noite de passagem de ano com ele (desde que tenho idade para me lembrar), porque o ritual era passar o dia a seguir. Pensei nas noites de Natal mais felizes que tive, ao seu lado... Pensei que ele não tinha vivido o bastante para estar presente em situações extremamente banais na vida das pessoas, mas que são importantes. Não viu a festa de casamento do meu primo ontem (de quem ele tanto gostava) e tantas outras. Não me viu a tirar a carta (pensei nisto porque vinha a conduzir), não me viu a entrar na faculdade. Será que as minhas escolhas seriam iguais? Não posso deixar de me questionar sobre o meu caminho, caso ele estivesse presente... Certamente não seria igual igual, porque as minhas vivências iriam ser diferentes. Nunca irei saber, mas que diferença me faz? Tal como o pai do Markl está presente nas notas musicais do concerto de Ano Novo, o meu estava ontem à noite comigo.