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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da boa educação. Ou da falta dela.

Eu considero-me uma pessoa minimamente bem educada. Mesmo que, por vezes, não saiba regra de etiqueta x ou y, há coisas básicas e fundamentais que não dispenso. Saudar as pessoas em estabelecimentos ou dentro de prédios (numa grande cidade, dizer "bom dia" a todas as pessoas na rua é estúpido), agradecer, pedir por favor, sorrir... São coisas simples que não custam nada a ninguém.
Tendo nascido e crescido numa pequena aldeia do Alentejo interior, tenho perfeita noção de que o nosso background afecta muito a nossa maneira de estar na vida e que não somos todos obrigados a saber estar com preceito no restaurante chique e xpto. Mesmo assim, fui educada por pessoas simples e bem educadas, que muito prezo e respeito.
No entanto, sabem quando começam a notar numa mania duma pessoa e depois já não se conseguem abstrair disso? Reparei que o meu avô (pessoa extremamente bem educada), quando chega a casa, não diz olá, bom dia, nada. Se só estiverem pessoas "da casa", não abre a boca!! Eu bem que forço e quase grito um "boa tarde", mas ele ignora-me. Eu percebo, está cansado e nós somos família... Mas custa assim tanto dizer qualquer coisa?
Dizem que burro velho não aprende e o meu avô está a um mês dos 82 anos. Não vou conseguir fazer nada dele, pois não?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estou sim, fala a mãe


Eu falo com a minha mãe todos os dias. Aconteça o que acontecer, esteja onde estiver, o mínimo que pode acontecer (assim na loucura) é trocarmos uma mensagem só para verificar que está tudo bem. Claro que, em alturas mais atarefadas, já aconteceu telefonarmos uma à outra só para dizer algo como: "Olha, é só para dizer que está tudo bem, mas como ando a fazer X e agora tenho de ir fazer Y, logo falamos amanhã. Beijinhos".
Vivi numa base diária com a minha mãe até aos 17 anos (quase 18), altura em que fui para a faculdade. Antes disso, só não estávamos juntas quando ia passar o fim-de-semana e as férias a casa do meu pai (até aos 15 anos) e, muito honestamente, não me lembro da logística dos telefonemas. No entanto, estava com o meu pai ou outros familiares e ela sabia que, se acontecesse qualquer coisa, estava em boas mãos e seria informada.
Quando fui para a faculdade, o caso mudou de figura. Tínhamos de falar obrigatoriamente todos os dias para ela ficar mais descansada e ter a certeza de que Lisboa não tinha ferido a sua menina. Se por qualquer motivo não lhe atendia o telefone, caía o Carmo e a Trindade! Agora, com o tempo, já está melhor nesse aspecto (e eu estou pior, confesso. Fico preocupada quando ela não me atende).
Se vou viajar, arranjo sempre um tempinho para apanhar uma rede Wi-Fi e garantir que está tudo bem, mesmo que seja com um telefonema de 1 minuto ou com uma mensagem. Quando estive a viver nos Estados Unidos, tínhamos uma diferença de 5 horas, mas lá nos arranjávamos para falar uma com a outra quase todos os dias. Assim que cheguei à Suíça e ela descobriu que havia tarifários a 40 francos mensais com chamadas ilimitadas para toda a Europa, ninguém a demoveu de que eu tinha de ter aquilo (só mais no fim admitiu que um tarifário com muitos dados móveis teria chegado).
Hoje em dia, que moramos juntas outra vez (temporariamente, espero), não há essa necessidade, mas se por qualquer motivo vou passar o fim-de-semana fora, ligo-lhe na mesma todos os dias. O que começou por "obrigação" tornou-se num hábito de que gosto muito.
E com isto... Não percebo como é que há pessoas que falam tão pouco com os pais! Eu sei que sou filha única e que a minha mãe é uma mãe galinha, mas uma simples mensagem para saber se está tudo bem (de parte a parte) chegava. O meu namorado foi para a faculdade e só ligava aos pais à quinta-feira para lhe dizer a que horas chegava no comboio no dia seguinte. Entretanto já me habituei à diferença, claro, mas ao início fazia-me muita confusão (apesar de não ter nada a ver com isso, só me surpreendia).
Sou assim com 20 e poucos anos, mas possivelmente vou continuar a ser a vida toda. A minha mãe tem um trabalho qb flexível (até porque não trabalha para outrem), só não pode falar comigo quando está a conduzir ou com outras pessoas, pelo que é sempre uma excelente companhia nos transportes públicos ou quando me desloco muito tempo a pé. Além disso, quem não quer os conselhos da mãe para coisas tão simples como "não sei o que cozinhar hoje"?