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domingo, 14 de maio de 2017

#salvadorable


Ontem vi um programa da Eurovisão pela primeira vez (pelo menos que me lembre). Eu sei - shame on me - mas eu sou uma pessoa que vê pouca televisão no geral, então de vez em quando ouço a canção vencedora de Portugal na internet, uma música ou outra que causam mais furor, e é isso.
Mas ontem... Ontem foi diferente. É verdade que se proporcionou que estivesse num sítio com televisão portuguesa (antes que digam que na tv suíça também passa, eu cá não tenho televisão de todo e, parecendo que não, ligo mais se ouvir em português do que em francês), mas penso que seria diferente de qualquer das maneiras.
A canção interpretada pelo Salvador Sobral, não sendo a típica canção festivaleira, despertou a minha curiosidade. Eu sou fã do trabalho da sua irmã, Luísa, ela é uma fofinha fofinha, pelo que a qualidade da coisa não me surpreendeu de todo... O que me surpreendeu - e me deixa orgulhosa e de peito cheio por ser portuguesa - é que uma canção, cantada na nossa língua materna, sem floreados ou ritmos pop, tenha chegado ao coração de toda a gente. Não digo isto gratuitamente, é mesmo o que sinto e penso... Não me imagino a sentir desta forma uma música cantada em russo que não entendo; no entanto, isto significa que poderia acontecer, se fosse suficientemente boa e cheia de emoção.
E isto... Este sentimento que o Salvador me permitiu, por ter feito com que uma canção portuguesa tão bonita transcendesse todas as fronteiras (de países, línguas, religiões ou culturas) e se tornasse universal, deixa-me feliz e cheia de orgulho.

sábado, 29 de abril de 2017

Tudo tem prós e contras, até isto


Olá desde há uns dias... A inércia deu cabo de mim e, por mais que eu começasse posts, acabava por apagar o que tinha começado e depressa mudava de separador.
Estou em Portugal faz hoje uma semana, daqui a três dias volto para Genebra. Avaliando esta semana, parece que não fiz nada de especial... Passou a correr.
Durante os últimos cinco anos, eu não vinha assim tão regularmente a casa (sem contar com as férias), pelo que não é assim tão estranho chegar cá e ser quase como era antes. No entanto, há pessoas que vejo muito menos - nomeadamente a minha mãe e os meus amigos - e aí a conversa já é outra.
Estar cá é tão bom e tão mau. Acho que não vale a pena explicar por que motivo é bom, mas a parte má prende-se muito ao facto de me deparar com o que estou a perder com as minhas escolhas. Não quero com isto dizer que não há uma parte boa em estar lá fora... Claro que há. Mas exige tantos sacrifícios emocionais, dos quais me apercebo muito mais quando cá estou.
Eu acho que não conseguiria restringir a minha vida a este sítio, sentir-me-ia incompleta. Mas uma grande parte do meu coração ficou por aqui...

sábado, 8 de abril de 2017

Quase a matar saudades


Daqui a duas semanas estou em Portugal. Mal posso esperar por aterrar no meu país! Não que esteja mau tempo na Suíça (que não está, meus ricos dias grandes com céu azul e calorzinho), mas tenho saudades de tantas coisas... Sem contar com a família e os amigos, claro, que desses sinto falta todos os dias.
Tenho saudades de me sentar numa esplanada e de pedir um café e uma água das pedras (aqui há água gaseificada, sim... mas não é a mesma coisa. E a bica então nem se fala). Das imperiais de fim de tarde... Que quando eu aí chegar podem ser acompanhadas de caracóis (mal posso esperar!!!!). Dos famosos pastéis de nata que, sendo algo tão garantido, não pensamos que podem fazer falta com a bica a meio da manhã. Da carne... Ai, a carne! Há quem tenha saudades do bacalhau, eu tenho saudades de carne boa (hábitos de alguém nascido e criado no Alentejo...).
Pequenas coisas... Que me fazem sentir em casa. Tenho saudades do conforto que sinto em Portugal, não nego.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eu disse

Eu disse que, depois da tempestade passar, queria ir passar um fim-de-semana a Portugal para ter "férias" a sério. Quando lá estive, os afazeres e as responsabilidades sobrepuseram-se e não consegui aproveitar o tempo com as pessoas.
Mas depois voltei. Voltei e não pensei mais nisso. Porque tenho é de trabalhar, de despachar as coisas, etc. e tal. Hoje voltei a pensar no assunto, pesquisei vôos e a ideia formou-se. Mandei mensagem ao meu orientador (que está de férias) e estou à espera de um sim para marcar e pronto.
Ando desmotivada e aborrecida, pelo que uns dias sem a cabeça nisto me vão fazer bem. Eu sei de onde isto vem: o meu local de trabalho está completamente vazio e abandonado. Uns porque já acabaram os seus projectos, outros porque estão em exames... E eu aqui sozinha. Só penso em ir-me embora para casa, em sair daqui. De manhã não tenho motivação para vir para cá. Preciso de vida à minha volta, de barulho de fundo. Para estar sozinha no meu cantinho, prefiro estar em casa.
Basicamente, estou a descobrir que fora do meu local de trabalho, não me importo de estar sozinha: vaguear pelas ruas, ir às compras, fazer o jantar... Tranquilo. Já no que diz respeito a ser produtiva no meu trabalho diário: nop, não funciona.
Como temos de olhar para o lado positivo da coisa, a parte boa é que isso fez com que eu quisesse ir visitar a minha família. Em breve estarei a beber bicas e a comer pastéis de nata e biscoitos da minha terra. E queijadas de requeijão. Acho que preciso de açúcar...

Lisboa é... comida

As redes sociais servem para eu não me desligar totalmente do que se passa no meu país. Por um lado, com os amigos e os familiares mais próximos a postarem coisas sobre o seu dia-a-dia; por outro, com as notícias e as novidades dos jornais e canais televisivos.
Mas há uma coisa que me deixa sempre com muita vontade de ir a correr apanhar um avião para Lisboa: a comida. Como se não bastassem todos os sítios que queria ter experimentado e que fui deixando para depois (assim de repente, estou a lembrar-me do Moules&Beer, do Atalho Real, da Leitaria Lisboa), Lisboa agora é um sítio da moda, pelo que há sempre montes de coisas a abrir em locais fantásticos da cidade (o novo Topo, aquele novo sítio de coisas com chocolate).
Eu sou uma pessoa que adora fotos de comida apetitosa. Se for em sítios bonitos daquela cidade, então ainda melhor. Vai daí e é ver-me a sofrer e a salivar para o telemóvel. Tanto jantar, tanto brunch, tanto café por tomar...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Trago o Alentejo na voz


Nascida e criada no interior do Alentejo, portadora de um belo sotaque transitório (não demasiado carregado e que muda consoante o meu interlocutor), orgulho-me bastante das minhas raízes. Teve as suas desvantagens e limitações durante o meu crescimento, mas as vantagens são infinitas... Sou portuguesa, adoro a outra cidade que me acolheu durante os últimos anos, estou a adorar morar fora do nosso país, mas acima de tudo sou e sempre serei alentejana.
Com estas características, não é de estranhar que o cante alentejano sempre tenha feito parte da minha cultura. Como algo bastante enraizado, em que não se pensa muito... Em certos acontecimentos e festinhas, sabemos que os grupos corais vão actuar. E, o mais certo, é que com uns copitos de vinho, não sejam precisos profissionais. Cresci com as mais variadas modinhas, umas que toda a gente conhece de Norte a Sul (como a "Fui colher uma romã, a "Dá-me uma gotinha de água", e por aí fora), outras mais típicas cá da zona (como a "Quinta-feira de Ascensão", tornada célebre devido ao Zambujo).
Foi assim que acompanhei com surpresa e alegria a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade e a respectiva atribuição. Claro que foi um orgulho, claro que nos deixou a todos de peito inchado. Ainda assim, confesso que o excesso de vaidade e de espalhafato que se gerou à volta do assunto às vezes irritava-me... Lamento.
Mas agora... Agora é diferente. Agora, esteja onde estiver, ouvir aquelas vozes traz arrepios e nostalgia. Mesmo que esteja em Portugal, com a iminência da partida... Já o sentia em Lisboa porque, afinal de contas, a nossa terra é a nossa terra. Mas agora... Agora é diferente.
Portugal é o país da saudade, com o fado como símbolo máximo. Mas digo-vos: o cante alentejano não lhe fica atrás. Às vezes, faz-me muito lembrar Alberto Caeiro e a sua vida no campo, devido às descrições... No entanto, muitas vezes também refere ao alentejano que tem de ir embora, mas que vai sempre ter saudade. Não que pondere voltar, mas o nosso Alentejo é o nosso Alentejo. Percebo que isto não faça o menor sentido para quem ouve de fora, mas acreditem: o sentimento está lá.
Parto amanhã (hoje). É a primeira vez que venho e volto. A primeira de muitas, espero. Não é fácil, voltei a relembrar-me da minha zona de conforto que estava bastante no fundo da memória... Ainda para mais, a beleza do meu Alentejo (e de Portugal no geral) não tem preço, mas tenho também todo um mundo lá fora... Ao qual eu quero pertencer.

domingo, 25 de setembro de 2016

Há sítios lindos no mundo, mas...

Lisboa foi a minha casa nos últimos 5 anos. Eu penso que um dia voltará a ser, mas nunca se sabe... A vida dá muitas voltas e pode ter sido apenas o sítio onde estudei. Será certamente local de passagem muitas e muitas vezes. Porque podem haver muitos sítios lindos no mundo, mas ainda nunca encontrei luz com esta. Vou ter saudades.