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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Aquela incapacidade vital de atingir uma satisfação plena e constante


Desde que me lembro que tenho em mim um sentimento muito forte de insatisfação. De necessidade de saber mais, de fazer mais, de ver mais. De dar mais de mim a algo. Além disso, senti-me também muitas vezes presa... Como se me amarrassem os membros para que eu não pudesse saber, fazer, ou ver mais. Sentir mais.
Com o tempo, fui ganhando a minha liberdade. E fui percebendo que a liberdade também nos limita. Dá-nos a responsabilidade inerente a uma escolha, em detrimento de outra. E o sentimento de insatisfação de não nos podermos dobrar mais, esticar mais, chegar a mais. Mais longe.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Matar saudades


Não há nada mais importante na nossa vida do que as pessoas de quem gostamos e a quem guardamos um lugar muito especial dentro de nós. Amanhã vou matar saudades de algumas dessas pessoas... Daquele grupinho especial de amigas da faculdade.
Podemos ter os nossos dramas (ai tanto estrogénio) e os nossos defeitos (ui! não somos, de todo, perfeitas), mas sei que os últimos 6 anos foram melhores e mais especiais (e mais fáceis) por ter aquelas tontas ao meu lado.
Feliz ou infelizmente, a vida de estudante acabou (ou quase) e cada uma seguiu o seu rumo. No entanto, esta altura obriga-nos a regressar à base e torna possível que nos juntemos todas, em nome dos bons velhos tempos. Porque, meus amigos, estas cabeças malucas todas juntas têm outra vez 18 anos quando se trata do "jantar de Natal"...
Mal posso esperar que passem estas 24 horas :)

domingo, 17 de dezembro de 2017

Desculpem o negativismo, mas...

Nunca percebi certos hábitos do luto. A obrigatoriedade de se usar preto. O facto de não se poder acender a televisão depois de se perder alguém... No seio de uma família qb conservadora, estas coisas são importantes para alguns dos que me são mais próximos.
Contudo, hoje é diferente. A última coisa que quero é ter barulho de fundo. Ouvir pessoas alegres a falar de futilidades, ou ouvir falar de ainda mais desgraças. Hoje (e quem sabe durante quantos dias?), não vou ligar a televisão... Não por ser obrigatório, mas porque não tenho capacidade nem vontade para isso.
Por aqui, tenho um sentimento que varia entre a negação e a revolta. Perdi alguém muito importante, mas que era ainda mais importante para outras pessoas... E o meu coração aperta-se ao pensar no sofrimento deles.
Há muitas coisas que quero dizer e escrever, mas sou constantemente impedida, ao pensar "para quê?". Apenas digo o seguinte: é bom que haja um propósito qualquer, uma coisa maior, que faça a morte fazer sentido. Caso contrário, se somos todos animais cuja existência se resume ao período de tempo entre o nascimento e a morte, não sei que sentido faz termos consciência e sentimentos. Mais valia sermos todos seres irracionais que apenas se preocupam com a sobrevivência.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

9 anos sem ti


Chegou o dia 5 de Dezembro e, pela primeira vez, sinto que este dia não me diz nada em particular. Não porque já não sinto a tua falta, mas porque é apenas um dia igual aos outros. Um dia em que tu não estás, um dia em que não vais voltar só por eu pensar mais em ti. Ainda assim, não vou negar que me lembro mais de cada vez que o meu telemóvel reflecte a data de hoje. É inevitável... Eu sou uma pessoa de datas, de associações. Seria impossível não relacionar a data com o acontecimento em si.
Isto para dizer que passaram 9 anos. 9 anos sem ti, em que foi difícil não sentir revolta. A tristeza é tolerável com o passar do tempo, a saudade torna-se numa constante com que se lida intrinsecamente. Mas a revolta? A revolta surge quando menos se espera, através do fio condutor de uma lembrança ou de um sentimento oculto. Eu tento, eu juro que tento... No entanto, é difícil não sentir que muito nos foi roubado. Os aniversários e os Natais? Habituei-me. Ao fim e ao cabo, foram coisas que partilhámos e que não nos tiram. E... o que veio de novo? Ciclos começados e terminados que não acompanhaste. Pessoas importantes que não conheceste. Conselhos que não deste. Segredos que não confessaste. Muitos e muitos momentos que não viveste.
Se fica mais fácil? Mentiria se dissesse que não. Há muito que fiz o luto e aceitei que partiste. Agarrei-me a uma fé rejuvenescida, com a certeza de que as coisas acontecem por uma razão. Se uma das minhas razões de viver foi ter sido tua filha, então só tenho a agradecer por isso (e por tudo o que lhe está associado, desde os momentos aos ensinamentos).
Desculpa pelos beijos e abraços que me pediste sem sucesso e pelos que dei sem vontade. Prometo melhorar nesse campo. E, já agora, aqui fica: um beijinho e um abraço. Não por ser hoje, mas sempre.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Desabafo... E agora adeus, que vou continuar o trabalho

Ver o tempo a passar e os meus objectivos a não serem cumpridos (apesar de estar a trabalhar arduamente para eles) é frustrante e, pior do que tudo, desgastante. Hoje tive um ataque de choro quando estava a acabar de almoçar, nem sei o que se passou... Só tive de tempo de pegar nas minhas coisas e ir embora. Não quero preocupar as pessoas cá de casa, até porque eles não compreenderiam.
Eu "gosto" de chorar, no sentido em que sei que ajuda a aliviar o que vai cá dentro. No entanto, ando há meses e meses a contrariar isso... Aliás, tenho lá tempo para chorar! Por isso surgiu assim. Do nada. Duma maneira tão profunda e descontrolada. Nem a respiração consegui controlar durante um bom bocado...
Entretanto, limpei as lágrimas e continuei a trabalhar. Lamentar-me não resolve problemas nem adianta trabalho.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Gosto muito de ouvir, mas também gosto de ser ouvida


Os meus amigos do coração têm dificuldades em acreditar que, muitas vezes, eu sou uma pessoa calada e introvertida. Isto porque, quando tenho à vontade com as pessoas, falo e falo e falo e falo... E ouço também, muito. Aliás, adoro ouvir! Mais do que faladora, sou uma boa ouvinte. Consigo estar horas a absorver o que os meus amigos têm para me dizer, seja super importante ou apenas banal.
No entanto, mesmo quando estou a ouvir, gosto de participar. Aliás, é um diálogo, não um monólogo. Isto se assim o fizer sentido, claro! Não vou estar sempre a interromper para dizer barbaridades, mas gosto de dar a minha opinião e exemplos. Isto resulta numa troca de ideias, mas deixo as pessoas seguir a sua linha de raciocínio (e, por amor de Deus, se não o faço, digam-me!!). Ou seja, se estamos a falar sobre a pessoa, não é por eu dar exemplos meus que quero que a conversa mude de rumo para mim. Não, não, não.
É por isso que me irrita profundamente que virem completamente o foco de uma questão quando eu estou a tentar partilhar algo. Se for uma coisa super banal, ou com pessoas que não são importantes para mim, ok... Tudo bem, nem era importante. Mas se for com amigos meus ou pessoas próximas, chateia-me e magoa-me se o fizerem muitas vezes. Até porque, se são meus amigos, são pessoas que eu tenho em elevada consideração.
Sabem aquela sensação de que a pessoa nem está a ouvir assim com tanta atenção o que estão a dizer, dado que tem uma atitude um tanto ou quanto vaga, e procura a primeira desculpa para se pronunciar e passar à frente a vossa história?
É isto. Deixa-me com um sentimento de frustração... De censura, a um certo ponto. Parece que os meus pensamentos não são válidos ou relevantes. Que sou mais um peão... Como qualquer pessoa que os quisesse ouvir naquele momento.

sábado, 23 de setembro de 2017

Desabafos sobre a avó


Ontem tive de ir a Lisboa. Saí de casa por volta das 8h e regressei às 21h. Um dia fora, portanto. Cheguei a casa e tinha a minha avó à minha espera. Ouvi-a a perguntar ao meu avô "quem é?" e assim que me viu disse:
- Senti a tua falta o dia todo.
E eu fiquei tão, mas tão comovida. Tenho andado numa fase em que, mais do que dar valor ao facto de ainda ter os meus avós comigo, me tenho sentido com um medo enorme de os perder. O que é normal, apesar de aterrador. Dou por mim a questionar-me e a sentir-me mal por querer tomar decisões que me façam ir para longe e perder o resto do tempo que tenho com eles... Mas claro que não posso deixar escapar oportunidades (se elas surgirem, claro) com base nisto. Aconteça o que acontecer, eu estive cá para eles sempre que pude.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Crescer é complicado... ou sou só eu?


Quero acreditar que vai chegar um dia em que a vida adulta não me assusta. Possivelmente não sou a única, mas tenho quase 24 anos e sinto-me apenas uma criança com um quase Mestrado. Não me sinto pronta para nada... Se uma qualquer entidade superior descesse à terra e me dissesse: "i., tens 18 anos outra vez e vais voltar para o primeiro ano da faculdade, porque não estás preparada", eu diria "pode crer que não estou!". Mas depois... Depois teria de recusar. Este tipo de coisas é muito pessoal. Se eu sou insegura em relação a mim e não mudo isso, não é a adiar a realidade que vou ficar preparada seja para o que for.
Claro que todos temos medos e hesitações, independentemente da idade e da condição actual. Ainda assim, era preciso sentir-me tão infantil? Tão pouco preparada? Eu atirei-me para os lobos muitas vezes na minha vida, no sentido em que sempre tentei fazer coisas que estão fora da minha zona de conforto. Se isso me preparou? Não sei. Se me deu experiência a lidar com lobos, por que raio continuo a tremer quando tenho de me atirar outra vez? Porque é que fico com o coração à toa, com o estômago feito em bola e com vontade de me enrolar numa bolinha, chorar e fingir que nada mais existe?
Se isto me impede de me atirar contra os lobos? Hell no! Ainda assim, impede-me muitas vezes de ir com tudo e faz-me duvidar de mim e do que sou capaz. Pior do que isso, dá cabo da minha saúde... Possivelmente, estar quietinha na minha zona de conforto também não seria saudável para mim (só eu sei o quão dou em maluca neste cantinho sossegado), mas gostava que não fosse excessivo.
Quero apenas... saber ser crescida. Se é que isso existe... Há-de chegar um dia, não é?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Coisas que eu não posso dizer à minha mãe (para que não fique vaidosa)


A minha mãe é, sem sombra de dúvidas, a pessoa mais importante da minha vida. No matter what. É o único laço directo que tenho e, até isso mudar, duvido que isto mude também.
Isto não significa que nos damos sempre bem... Muito pelo contrário. É a pessoa com quem mais discuto, com quem mais me chateio, com quem mais entro em conflito. As nossas personalidades e maneiras de ver o mundo são um tanto ou quanto diferentes e, mesmo que não fossem, as pessoas mais próximas são sempre as que acabam por levar por tabela.
Nem sempre tivemos a melhor relação do mundo, mas as circunstâncias da vida e as mudanças na maneira de ser (de parte a parte) facilitaram a coisa e hoje posso dizer que estou em paz e feliz com o que temos.
No meio de tudo isto, desta relação q.b. impetuosa, está também a pessoa em quem mais confio. A pessoa para quem me apetece correr quando as coisas correm mal mas, por saber a preocupação que lhe causo, evito fazê-lo. A pessoa com quem muitas vezes não quero falar por saber que não consigo não ser transparente e às primeiras duas palavras estaria lavada em lágrimas.
Quando eu era (bem) mais nova, a minha mãe dizia que eu era a melhor amiga dela e isso irritava-me. Uma filha/mãe não tem de ter o papel de melhor amiga, pensava eu. Pois não, não tem... Mas pode. E hoje a minha mãe é a minha melhor amiga (ou, pelo menos, uma das).

sábado, 5 de agosto de 2017