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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Aquela incapacidade vital de atingir uma satisfação plena e constante


Desde que me lembro que tenho em mim um sentimento muito forte de insatisfação. De necessidade de saber mais, de fazer mais, de ver mais. De dar mais de mim a algo. Além disso, senti-me também muitas vezes presa... Como se me amarrassem os membros para que eu não pudesse saber, fazer, ou ver mais. Sentir mais.
Com o tempo, fui ganhando a minha liberdade. E fui percebendo que a liberdade também nos limita. Dá-nos a responsabilidade inerente a uma escolha, em detrimento de outra. E o sentimento de insatisfação de não nos podermos dobrar mais, esticar mais, chegar a mais. Mais longe.

domingo, 30 de julho de 2017

Amizades desvanecidas

Falei recentemente sobre aquele sentimento de não nos identificarmos mais com alguém. Alguém que, durante muito tempo, foi uma pessoa importante. Uma das nossas pessoas. Isso dói... Dói muito de repente (ou não tão de repente quanto isso) percebermos que o que nos ligava - que julgávamos tão objectivo e eterno - já não existe.
Sabem o que é que também dói? Extrapolar isto para o que ainda não aconteceu, para o que ainda está por vir. Nós, portugueses, temos muito a tendência para sofrer por antecipação... É algo que julgo, principalmente quando fazemos disto uma constante, mas nem sempre é fácil de gerir e de evitar. Dou por mim a pensar nas minhas amizades, naquelas por quem tenho um carinho muito especial, que fazem parte de mim, de quem sou. Aquelas que me movem, que me fazem querer dar mais de mim, bem como estar lá para rir e para chorar... Enfim. Amizades dignas do termo. Penso nelas... E penso que, inevitavelmente, vamos acabar a pisar caminhos diferentes, a evoluir de formas muitas vezes opostas. Porque as experiências de vida nos moldam nesse sentido.
Normalmente, este tipo de coisas é compensado por momentos passados com as pessoas em questão... Com momentos tão simples quanto incríveis. E a coisa balança-se e lá se segue. Para o melhor e para o pior. O problema é quando isso não acontece... A coisa vai-se levando, que vai. Mas... Há um comentário com o qual não nos identificamos. Uma reacção que não percebemos. Uma atitude fora do normal para o que estávamos habituados. E chega a um ponto... Em que as pessoas importantes, especiais, que nos moviam e nos faziam querer dar mais de nós... São só pessoas normais de quem costumávamos gostar muito. O carinho fica. Mas é só isso.
E neste momento... Às 2h30 da manhã... Devia estar a escrever a tese ou a dormir. Mas estou genuinamente triste, com uma vontade parva de chorar, a sofrer por antecipação pelas leis da vida.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Conhecer: uma dissertação. Kidding. São só pensamentos vagos


O meu estado actual, de ansiedade e stress, faz-me pensar demasiado na vida quando estou no autocarro. As minhas viagens passam-se entre ler um livro (ando demasiado cansada para isso), ligar à minha mãe (quando estou assim em modo rabugenta, em vez de falar com ela, reviro os olhos a tudo o que ela me diz e desligo) e mandar mensagens no facebook / whatsapp. Se nenhuma dela se verifica, facilmente me perco em pensamentos que podem ser de dois tipos: 1) profundos, sobre sentimentos, sobre a vida; 2) sobre tudo aquilo que tenho a fazer e não sei como e agora estou presa no autocarro e não posso fazer nada. Às vezes os dois tipos de pensamentos sobrepõem-se.
Hoje, houve um bocadinho de tudo. Não sei muito bem de onde, comecei a pensar no acto de conhecer uma pessoa. Seja no trabalho, numa saída, no ginásio, porque é amigo de amigo, na Internet... Enfim, não interessa. Conhecer. Não só aquele momento de "olá, sou a i., prazer em conhecer-te", mas todos os que se seguem. Tudo o que de facto te leva a consolidar o facto de realmente conheceres alguém, e não de teres visto apenas uma vez.
E no que é que eu pensei? Que somos frágeis em relação a isto. Se acabámos de conhecer a pessoa, que background é que temos para saber se tudo o que nos diz é verdade? Se for uma pessoa que nos cativa, de uma forma ou de outra, como é que temos a certeza que não estamos a ser atraídos por uma identidade falsa, por algo completamente vazio?
A resposta, meus amigos, é: não sabemos. Não sabemos, mas mesmo assim temos de confiar. Temos de acreditar que há pessoas boas neste mundo (por muito que seja difícil). Temos de acreditar quando nos dizem que têm um carro e um filho. Quando nos dizem que odeiam reggaeton e que adoram cheesecake. Claro que hoje em dia, com as redes sociais, há muitas coisas que nos saltam logo à vista... Mas a felicidade também pode ser fabricada.
Tudo isto para dizer que, por muito que nos protejamos, por muito que tenhamos dúvidas e razões para as ter, não nos podemos fechar no nosso mundo e viver sozinhos numa caverna. Afinal de contas, somos animais sociais... E, por muitas desilusões que tenhamos com as pessoas, vamos sempre ter mil coisas boas. (fala a pessoa que não acredita muito no bom lado das pessoas no geral)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Da discrição extrema

Há uma característica minha que está mesmo muito vincada: eu gosto de ser discreta. Não sei se sempre fui assim, mas é assim desde que me lembro... Não gosto de dar nas vistas, não gosto de ser o centro das atenções, nada. Claro que isto não significa que eu não quero deixar uma marca no mundo nem que não quero ser reconhecida pelo que faço, apenas tento tendência a sentir-me constrangida com isso... Além de que, com os meus, a coisa é diferente.
Possivelmente, certas pessoas vão ler isto e pensar "eu também sou assim", mas eu estou a falar de algo mesmo muito profundo. Algo que, por vezes, chega a ser um problema. É que isto torna-me snob para com as pessoas que me rodeiam. Se estou inserida num grupo em que há alguém que se ri muito alto, eu tenho tendência a olhar à volta para ver se alguém reparou. Se estou com pessoas que falam muito alto e não tenho confiança suficiente para pedir para falarem mais baixo, apetece-me meter num buraquinho. Snob, eu disse! Sou também uma pessoa que gosta que toda a gente em seu redor esteja bem, mesmo que eu não os conheça... Talvez por isso tenha esta "preocupação", a achar que estamos a incomodar pessoas que não têm de nos aturar.
Ora, eu cresci no meio de galinhas. Das verdadeiras, também, mas a maior de todas é a minha mãe. Ela dava a desculpa de ser professora e de estar habituada a falar alto... Uma ova. Já não dá aulas há uns quantos anos e continua igual. No carro é onde reparo mais... Estamos num ambiente fechado, sem grande ruído, não há necessidade de gritar - ela grita. Mas com ela tenho confiança para dizer "já estás a gritar", "não girtes" e outros que tais.
Como se não tivesse já galinhas suficientes na minha família, cheguei à faculdade e encontrei mais umas quantas. Quando nos juntamos todas a discutir... Ai, meu Deus. Até já eu gritava às vezes para me fazer ouvir! Ainda assim, há episódios hilariantes e vergonhosos, em que - mais uma vez - eu só me quis enfiar num buraquinho e não sair de lá enquanto as pessoas à nossa volta não fossem embora. É que discutir sobre ciganos aos altos berros em pleno sítio da moda com vista para Lisboa é toda uma cena que uma pessoa discreta como eu gostaria de evitar (claro que, agora, não trocaria esses momentos vergonhosos com as minhas amigas por nada, mas na altura não foi bem assim).
Esta característica é tão intrínseca à minha pessoa que, em momentos nos quais eu estava a milhares de km de distância, essas minhas amigas tiveram uma das famosas conversas aos berros, ao ponto de elas ficarem envergonhadas (imaginem há quanto tempo é que eu não o estaria...) e de comentarem "se estivesse aqui a i., ela não nos tinha deixado chegar a este ponto". Ser assim tem prós e contras... 
Eu até gosto de ser assim, discreta. Apenas gostava de ser um bocadinho menos, para não ser uma coisa que me faça ficar incomodada.

terça-feira, 21 de março de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A minha relação com a religião


Não sou a católica mais praticante de sempre. Não presto homenagens. Não faço promessas a entidades divinas. Sou algo céptica em relação a tantas, mas tantas coisas... Até porque sou cientista, não faz sentido não questionar. Mas, ainda assim, sou crente e não tenho problemas em admiti-lo.
Há uns meses, em conversa com um amigo que não tinha essa noção sobre mim, ele questionou-me, já não sei bem como... Só sei que respondi: "Às vezes, as pessoas precisam de acreditar". Possivelmente, é esse o meu grande motivo... Ainda assim, mesmo que com um motivo tão "egoísta" (porque a necessidade é egoísta), posso dizer que nos três grandes eventos religiosos que presenciei no ano passado, senti uma força espiritual muito grande... Que vai de encontro à minha crença.
Não me interpretem mal. Eu não suporto pessoas que desculpam tudo o que de mal lhes acontece com "Deus assim o quis". Às vezes, apenas não lutam o suficiente e a existência de uma entidade superior serve como escapatória. Não... Mas às vezes, quando o desespero e a tristeza é tanta, pode ser necessário pensar que "seja o que Deus quiser".
Também não suporto pessoas mesquinhas, mas que por irem à igreja regularmente já acham que podem ser consideradas boas cristãs. Não... Vai muito além disso. Eu, pessoalmente, cada vez sou mais uma pessoa de agradecer. Sinto uma necessidade muito maior de agradecer do que de pedir... Não sei, penso que o que posso ou não alcançar depende de mim, mas as oportunidades estão lá e devemos agradecer por elas. Claro que isto é totalmente pessoal e não acho que devemos julgar as crenças de cada um...
Esse meu amigo de que falei na altura respondeu-me que a religião é uma excelente forma de lidar com a morte. E é mesmo... Não que eu acredite em várias vidas, porque - mais uma vez - como pessoa das ciências, eu consigo ver que acabou ali. A vida é uma passagem, um tanto ou quanto aleatória, nós é que precisamos de lhe atribuir um sentido, para sentirmos que temos um propósito. Ainda assim, apesar deste cepticismo, eu tenho sentimentos... E há alturas em que, aconteça o que acontecer, esteja onde estiver, preciso de sentir que quem já partiu está comigo.
Uma vez, uma pessoa muito mais espiritual do que eu, disse-me que há pessoas que têm de se sacrificar e partir para nos deixarem livres e continuarem a tomar conta de nós. Não vou tão longe... Não consigo, pelo menos nesta fase de vida, concordar com esse pensamento. Também não tenho opinião formada sobre céus e infernos e outras coisas que tal... Porque não tenho como saber e acho que é apenas uma forma encontrada para nos levar a praticar o bem (que todos devíamos praticar, independentemente das nossas crenças). 
Sem dúvida que a religião me ajudou muito mais a estar em paz com a morte, mas - e agora vem o grande mas - deixa-me completamente de rastos em relação às injustiças da vida e ao estado do mundo. E é aqui que me encontro sempre numa encruzilhada de questões que não tenho (ainda) como responder.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A verdade crua e dura

A minha mãe gosta de me stressar (só pode) e esta tarde veio perguntar-me:
- Mas com o trabalho que tens para fazer, achas que tens tempo de ir jantar com o teu avô?
- Se ele morresse, teria tempo de ir ao funeral.
Claro que já me deu razão. Arranjamos tempo quando as pessoas estão doentes, quando morrem... Mas celebrar a vida já é menos importante. Isto é aplicável a todas as outras situações, pois normalmente tomamos tudo como garantido... As coisas amanhã vão lá estar, para quê preocuparmo-nos e dar valor? Pois, errado.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Das relações à distância


Eu sou céptica em relação ao amor e às relações. Bastante céptica, diria eu. Até porque acho que gostar é muito bonito, mas só chega na adolescência, quando as responsabilidades se resumem a fazer os tpc's. Não que tenha entrado na vida adulta a 100%, mas aproxima-se e as pessoas vão mudando, vão crescendo, e as perspectivas de vida também se alteram.
No entanto, não sou céptica no que diz respeito às relações à distância. Pelo menos, quando as coisas estão estáveis e as pessoas já se conhecem há tempo suficiente para saber com o que podem contar. Claro que custa mais, claro que existem saudades, claro que o esforço tem de ser maior, mas isso até é bastante bom para fortalecer uma relação! Não me refiro a relações à distância de 200 km, em que os casais se vêem todos os fins-de-semana. Essas custam, não digo o contrário, é preciso muito jogo de cintura também... Refiro-me a distâncias que nem de mês a mês se solucionam.
Mas nem tudo são rosas, a vida não se resume a um "e viveram felizes para sempre". Os casais reais têm problemas, apresentam diferenças... Diferenças que podem ser contornáveis nos momentos em que passam juntos, porque sentem-se bem com a presença um do outro. Todavia, quando não há essa possibilidade, as diferenças ecoam e fazem-se notar. Não digo que de repente descobrimos que a pessoa é assim... Nós já sabíamos, há muito tempo, mas conseguíamos ignorar o assunto e acreditar que funcionava. Com a distância não é assim, quando a diferença é atroz...
Como se não bastasse, há ainda o factor "ir para fora" / "sair da zona de conforto". Isto muda-nos, em muitos aspectos. Faz-nos dar mais valor a certas coisas em detrimento de outras, muda a nossa perspectiva sobre a vida, abre-nos horizontes e afecta a nossa mentalidade. Até que ponto é que a outra pessoa consegue acompanhar essa mudança? Não é algo fácil.
Se eu acho que isso significa que as relações não deviam passar por coisas assim? Nada disso. Às vezes é bom (mesmo que o resultado seja tão mau que nem queremos imaginar), porque serve para o casal ver se está mesmo em equilíbrio. E serve para se esforçarem, para darem mais de si, se não quiserem deitar tudo a perder.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Pensamentos profundos de quem devia estar a trabalhar

Há uns dias, estava a falar com a minha mãe de que, com a minha personalidade, vou acabar por ter um filho como o meu primo J ou o meu primo B (que eu adoro, mas não temos nada a ver) só para me chatear.
O que quero eu dizer com isto? Bem, muito resumidamente, eu gosto de sonhar alto, de não me contentar (não estou a dizer que o faço sempre, estou a dizer que gosto e me esforço por ser assim). Estes meus primos são bastante diferentes... Foram-lhes proporcionadas várias oportunidades, foi-lhes dito "voem, têm asas", e eles simplesmente não quiseram. Quiseram ficar onde sempre estiveram, no que sempre conheceram. A fazer algo de que gostam, é certo. Não estou a criticar, cada um é como cada qual... Mas para uma mãe ou um pai que não têm essa personalidade, essa visão, deve ser complicado. Tal como ao contrário, que é o meu caso.
Com o avançar da conversa, a minha mãe questionou-se "mas por que é que tu não és como eles?? *inserir ar de desespero*". Não sei, nunca vou saber, mas se calhar a resposta está nela própria. Ao proibir-me tanto de certas coisas, só fez com que eu as desejasse mais. Ao quebrar-me as asas para eu não poder voar, só fez com que eu sentisse ainda mais ânsia de o fazer, mesmo que com as asas por recuperar. Com uma grande quantidade de discussões e lágrimas pelo caminho (e mentiras, quando era mais nova), se calhar agora dou muito mais valor a algumas das minhas conquistas. Dizem que o fruto proibido é o mais apetecido. Não sei se foi esse o caso, mas se for, óptimo.
Tudo isto para dizer que, com o conhecimento que podemos ter hoje das coisas, não acredito que é impossível lutar por aquilo em que se acredita. Mesmo no tempo dos nossos avós, em que uma ditadura lavrava por completo o nosso país e fazia com que as mentalidades fossem moduladas como dava jeito, havia muita gente consciente e descontente. Se uma pessoa está feliz com o que tem e não vê necessidade de mais, então tudo bem, não critico a letargia. Se, pelo contrário, fala do que está mal, queixa-se, mas não age? Então quem está mal é essa pessoa.
As verdadeiras mudanças vêm sempre de dentro de nós. Não podemos ficar à espera de uma revolução exterior.