terça-feira, 5 de dezembro de 2017

9 anos sem ti


Chegou o dia 5 de Dezembro e, pela primeira vez, sinto que este dia não me diz nada em particular. Não porque já não sinto a tua falta, mas porque é apenas um dia igual aos outros. Um dia em que tu não estás, um dia em que não vais voltar só por eu pensar mais em ti. Ainda assim, não vou negar que me lembro mais de cada vez que o meu telemóvel reflecte a data de hoje. É inevitável... Eu sou uma pessoa de datas, de associações. Seria impossível não relacionar a data com o acontecimento em si.
Isto para dizer que passaram 9 anos. 9 anos sem ti, em que foi difícil não sentir revolta. A tristeza é tolerável com o passar do tempo, a saudade torna-se numa constante com que se lida intrinsecamente. Mas a revolta? A revolta surge quando menos se espera, através do fio condutor de uma lembrança ou de um sentimento oculto. Eu tento, eu juro que tento... No entanto, é difícil não sentir que muito nos foi roubado. Os aniversários e os Natais? Habituei-me. Ao fim e ao cabo, foram coisas que partilhámos e que não nos tiram. E... o que veio de novo? Ciclos começados e terminados que não acompanhaste. Pessoas importantes que não conheceste. Conselhos que não deste. Segredos que não confessaste. Muitos e muitos momentos que não viveste.
Se fica mais fácil? Mentiria se dissesse que não. Há muito que fiz o luto e aceitei que partiste. Agarrei-me a uma fé rejuvenescida, com a certeza de que as coisas acontecem por uma razão. Se uma das minhas razões de viver foi ter sido tua filha, então só tenho a agradecer por isso (e por tudo o que lhe está associado, desde os momentos aos ensinamentos).
Desculpa pelos beijos e abraços que me pediste sem sucesso e pelos que dei sem vontade. Prometo melhorar nesse campo. E, já agora, aqui fica: um beijinho e um abraço. Não por ser hoje, mas sempre.

5 comentários:

Mena Almeida disse...

Há 31 que perdi o meu e ainda hoje penso quase todos os dias nele, nas conversas que tivems e as que não aconteceram, nos conselhos que me deu, nas alegrias que tivemos, mas também nas tristezas. Muito dificil sim, às vezes não damos valor enquanto os temos e depois.. eu senti e sinto isso.
Muita força, nunca se esquece mas aprende-se a viver com a falta.
Beijinho

pequenasvontades disse...

Perdi a minha mãe há seis meses e chorei copiosamente com o teu texto. Custa tanto porra!
Beijinho e força

JU VIBES disse...

Fiquei de coração apertado, a sentir-me uma sortuda.

Um grande beijinho para ti!


juvibes.blogspot.pt

Tulipa Negra disse...

Um grande beijinho e um abraço apertado com toda a força deste mundo! Se precisares de falar, podes contar comigo.

Mary disse...

Fiquei com o coração apertado, um beijinho grande.