domingo, 9 de abril de 2017

Olá, eu sou a i. e digo que quero ser investigadora. Lol.

Não se deixem enganar por pessoas sorridentes e felizes a fazer investigação. Só mentiras!

Esta semana que passou foi uma das piores desde que aqui cheguei. Acho que nunca me tinha sentido tão impotente e perdida... Depois de uma apresentação que me deixou muitíssimo nervosa (pensei que ia ser muito pior, ajudou o facto de me preparar com antecedência), experenciei momentos muito infelizes. Momentos de desespero, de impotência, de frustração. Momentos em que eu pensava o quão burra e estúpida sou. Tudo isto a juntar ao facto de o meu projecto estar super atrasado, ter chegado a um ponto em que tudo está a correr e mal e não temos a certeza de que o que vamos fazer a seguir resulte. Enfim... Foi depressivo e cansativo. Principalmente, porque tenho de fingir manter o optimismo em como tudo vai melhorar... Não vai.
Consigo entender totalmente a razão que leva as pessoas a desistirem de investigação e irem pentear macacos (isto para dizer que pentear macacos às vezes deve ser melhor). E o que sei eu do assunto? Sou uma mera estudante de Mestrado, com zero experiência na área... Imagino como é para quem lida diariamente com o assunto há anos. O pior? O pior é que mesmo dizendo e sabendo que o que estou a dizer é verdade, continuo a dizer que quero fazer investigação. Não sou psicóloga, mas algo não bate certo na minha cabecinha... Como é possível alguém gostar de algo que a faz sofrer e não se considerar masoquista? Que me perdoem os investigadores, mas eu só consigo explicar isto com um Complexo de Deus qualquer (lá estou eu outra vez a invocar coisas de que não percebo)... Ai e tal, somos tão bons, vamos fazer a ciência avançar, trazer algo de bom para a sociedade. Bullshit é que vamos. Vamos só ser deprimidos e frustrados durante, pelo menos, 80% dos nossos dias. Amém.

3 comentários:

м♥ disse...

Nunca quis ser investigadora. Ainda bem que há malucos para tudo :) Também é preciso que alguém se queira dedicar a isso. Mas sempre considerei a profissão extremamente precária e, além disso, frustrante. Poucos são os que de facto conseguem descobrir coisas interessantes e importantes, o resto parece que anda só a brincar aos ratinhos de laboratório. Não quero ofender ninguém com isto, mas pelo menos é a realidade que eu conheço.

Andrea disse...

Tudo vai melhorar ! Pensamento positivo *

i. disse...

Percebo o que dizes, M! Ainda assim, na minha área a coisa não é bem assim... É extremamente frustrante, mas é necessário para teres melhores meios de diagnóstico e terapia. Pelo menos é o que eu acho :) E a coisa até avança, mas para lá chegar é preciso bater muiiiiito com a cabeça... Muito, mesmo. Agora que é um trabalho mal pago, é... Principalmente no nosso país, em que essencialmente só temos o meio académico a dedicar-se a isso.