sábado, 14 de outubro de 2017

Tapa-te, filha


A minha avó é um amor. É uma velhota como há poucas na minha terra... Não se mete na vida dos outros, não gosta de estar à porta a ver quem passa. Conversas que não levam a lado nenhum aborrecem-na. Enfim... Ela faz a vidinha dela e deixa os outros fazer a deles.
Mas - claro que havia um mas - isto é tudo muito bonito, de não se meter na vida dum e doutro, mas há que haver respeito. E, havendo respeito, é necessário que a indumentária das pessoas assim o transmita. Na prática, ela até nem quer saber dos de fora... Nunca a ouvi dizer "olha para aquela toda despida", ou "olha para aquela de mamas à mostra". Agora comigo e com a minha mãe... Comigo e com a minha mãe é diferente!
Com a minha mãe, ela é muito pior, tanto por ser mais velha, como por ser filha. Eu já estou mais distante, já sou mais "moderna", desculpa-me mais. Agora a minha pobre mãe sofre com a sua mãe... Sofre, sim, porque eu não estou a falar de roupas ridiculamente curtas ou decotadas. Não, não, não. A maior ofensa para a minha avó é pura e simplesmente mostrar os ombros.
Qualquer blusa de alças - ainda que daquelas alças largas - é completamente censurada se não houver um casaco / camisa / qualquer coisa que o valha a tapar. Se eu tiver uns calções curtos e uma t-shirt? Tudo bem. Se eu tiver algo que me cubra até aos pés, mas os ombros destapados, pareço uma prostituta. Não, ela não me diz isto com todas as letras... Mas anda lá perto. (ou se calhar até já me disse e eu não liguei, ela é um bocado asneirenta)
Eu tenho três abordagens quando quero usar camisolas assim: 1) rio-me e faço o que quero; 2) visto um casaco até entrar no carro e depois disso ela não faz ideia; e 3) (que adoptei mais recentemente) saio de casa à pressa e só digo "tchau, até logo!" sem lhe dar tempo de me olhar com atenção.
Se eu podia confrontá-la mais com o assunto como já fiz no passado? Podia. Mas vale a pena? Ela tem quase 85 anos e os ideais dela não vão mudar. Assim ficamos todos felizes.

"30% de desconto em todos os vestidos", dizem eles

Opá, a sério, não dá. Eu afasto-me dos pecados capitais o máximo que posso, mas a Mango mandar-me e-mails a dizer "30% de desconto em todos os vestidos" faz-me clicar.
Depois vejo coisas assim, por 18€:

Mango

Isto faz-me pensar "ahhh, quero!", mas o melhor a fazer é mesmo fechar o link e seguir em frente. Não sem antes enviar o link ao meu namorado, a tentar a sorte. Não que tenha esperanças no assunto, mas... Não se perde nada, não é?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Yes, i. falar English very much indeed

Vocês desse lado não me conhecem... Lêem as larachas que mando aqui no blogue, vão sabendo uns factos e tiram as vossas próprias conclusões sobre esta i. que vos escreve.
Como eu gosto muito de me gabar de que vou para aqui e que vou para ali (ah e tal que estive nos Estados Unidos a estagiar, ah e tal que passei o último ano na Suíça), de vez em quando até me saio com uns estrangeirismos, vocês devem assumir que eu sou muita-boa no inglês.
Pois, assumem... mal. Reparem que eu não estou a dizer que sou uma lástima. Já fui em tempos, até há três/quatro anos, mas esforcei-me ao máximo para mudar isso. Hoje em dia, sou mediana. Tenho aquele nível de inglês intermédio avançado que dá para desenrascar bastante bem, seja a ler, a ouvir ou a falar. Mas é só isso (infelizmente).
Posto isto, estar a escrever a minha tese de Mestrado em inglês é coisa para me dar cabo dos nervos. Não é que eu não seja capaz, não é nada disso... Demoro é cinco vezes mais (sem exageros) e está cinco vezes pior do que estaria em português (sem exageros).
É que eu sou uma pessoa que se orgulha de escrever bem na sua língua materna. Tenho um bom vocabulário e emprego expressões caras (aqui no blogue pratico uma linguagem mais descontraída), quando releio percebo se dei erros de concordância... Enfim, não escrevo mal. Por isso, estar a ter este trabalhão todo, para reler e pensar "mas que bela porcaria que te saiu, i." sem conseguir fazer nada para melhorar deixa-me mesmo chateada.
Estou para ver a cara do meu orientador quando lhe enviar este "belo" resultado... Estou, estou.

Amando!!!!

Há uns dias, vi esta camisola ao vivo na Mango:


Embora aqui não pareça, é super linda e fofinha! Não a trouxe para casa (aliás, nem a experimentei, para não ficar triste), porque acho que a qualidade desta loja não compensa gastar 40€ numa camisola (da qual, ainda por cima, não preciso).
Resta-me esperar que aguente até aos saldos e assim o Pai Natal pode-ma dar nessa altura. Quero-a, quero-a, quero-a!!

Estou sim, fala a mãe


Eu falo com a minha mãe todos os dias. Aconteça o que acontecer, esteja onde estiver, o mínimo que pode acontecer (assim na loucura) é trocarmos uma mensagem só para verificar que está tudo bem. Claro que, em alturas mais atarefadas, já aconteceu telefonarmos uma à outra só para dizer algo como: "Olha, é só para dizer que está tudo bem, mas como ando a fazer X e agora tenho de ir fazer Y, logo falamos amanhã. Beijinhos".
Vivi numa base diária com a minha mãe até aos 17 anos (quase 18), altura em que fui para a faculdade. Antes disso, só não estávamos juntas quando ia passar o fim-de-semana e as férias a casa do meu pai (até aos 15 anos) e, muito honestamente, não me lembro da logística dos telefonemas. No entanto, estava com o meu pai ou outros familiares e ela sabia que, se acontecesse qualquer coisa, estava em boas mãos e seria informada.
Quando fui para a faculdade, o caso mudou de figura. Tínhamos de falar obrigatoriamente todos os dias para ela ficar mais descansada e ter a certeza de que Lisboa não tinha ferido a sua menina. Se por qualquer motivo não lhe atendia o telefone, caía o Carmo e a Trindade! Agora, com o tempo, já está melhor nesse aspecto (e eu estou pior, confesso. Fico preocupada quando ela não me atende).
Se vou viajar, arranjo sempre um tempinho para apanhar uma rede Wi-Fi e garantir que está tudo bem, mesmo que seja com um telefonema de 1 minuto ou com uma mensagem. Quando estive a viver nos Estados Unidos, tínhamos uma diferença de 5 horas, mas lá nos arranjávamos para falar uma com a outra quase todos os dias. Assim que cheguei à Suíça e ela descobriu que havia tarifários a 40 francos mensais com chamadas ilimitadas para toda a Europa, ninguém a demoveu de que eu tinha de ter aquilo (só mais no fim admitiu que um tarifário com muitos dados móveis teria chegado).
Hoje em dia, que moramos juntas outra vez (temporariamente, espero), não há essa necessidade, mas se por qualquer motivo vou passar o fim-de-semana fora, ligo-lhe na mesma todos os dias. O que começou por "obrigação" tornou-se num hábito de que gosto muito.
E com isto... Não percebo como é que há pessoas que falam tão pouco com os pais! Eu sei que sou filha única e que a minha mãe é uma mãe galinha, mas uma simples mensagem para saber se está tudo bem (de parte a parte) chegava. O meu namorado foi para a faculdade e só ligava aos pais à quinta-feira para lhe dizer a que horas chegava no comboio no dia seguinte. Entretanto já me habituei à diferença, claro, mas ao início fazia-me muita confusão (apesar de não ter nada a ver com isso, só me surpreendia).
Sou assim com 20 e poucos anos, mas possivelmente vou continuar a ser a vida toda. A minha mãe tem um trabalho qb flexível (até porque não trabalha para outrem), só não pode falar comigo quando está a conduzir ou com outras pessoas, pelo que é sempre uma excelente companhia nos transportes públicos ou quando me desloco muito tempo a pé. Além disso, quem não quer os conselhos da mãe para coisas tão simples como "não sei o que cozinhar hoje"?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Desabafo... E agora adeus, que vou continuar o trabalho

Ver o tempo a passar e os meus objectivos a não serem cumpridos (apesar de estar a trabalhar arduamente para eles) é frustrante e, pior do que tudo, desgastante. Hoje tive um ataque de choro quando estava a acabar de almoçar, nem sei o que se passou... Só tive de tempo de pegar nas minhas coisas e ir embora. Não quero preocupar as pessoas cá de casa, até porque eles não compreenderiam.
Eu "gosto" de chorar, no sentido em que sei que ajuda a aliviar o que vai cá dentro. No entanto, ando há meses e meses a contrariar isso... Aliás, tenho lá tempo para chorar! Por isso surgiu assim. Do nada. Duma maneira tão profunda e descontrolada. Nem a respiração consegui controlar durante um bom bocado...
Entretanto, limpei as lágrimas e continuei a trabalhar. Lamentar-me não resolve problemas nem adianta trabalho.

Aquisições

Estas calças caem de uma forma tão gira... que são minhas! (pode não parecer, mas caem mesmo) Perfeitas para esta altura: nuns tons mais "outonais", mas fresquinhas.

Natura

Comprei também uma gola bem quentinha na Natura, mas só por gostar mesmo dela... Com este tempo, não dá vontade nenhuma de comprar coisas quentes!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Gosto muito de ouvir, mas também gosto de ser ouvida


Os meus amigos do coração têm dificuldades em acreditar que, muitas vezes, eu sou uma pessoa calada e introvertida. Isto porque, quando tenho à vontade com as pessoas, falo e falo e falo e falo... E ouço também, muito. Aliás, adoro ouvir! Mais do que faladora, sou uma boa ouvinte. Consigo estar horas a absorver o que os meus amigos têm para me dizer, seja super importante ou apenas banal.
No entanto, mesmo quando estou a ouvir, gosto de participar. Aliás, é um diálogo, não um monólogo. Isto se assim o fizer sentido, claro! Não vou estar sempre a interromper para dizer barbaridades, mas gosto de dar a minha opinião e exemplos. Isto resulta numa troca de ideias, mas deixo as pessoas seguir a sua linha de raciocínio (e, por amor de Deus, se não o faço, digam-me!!). Ou seja, se estamos a falar sobre a pessoa, não é por eu dar exemplos meus que quero que a conversa mude de rumo para mim. Não, não, não.
É por isso que me irrita profundamente que virem completamente o foco de uma questão quando eu estou a tentar partilhar algo. Se for uma coisa super banal, ou com pessoas que não são importantes para mim, ok... Tudo bem, nem era importante. Mas se for com amigos meus ou pessoas próximas, chateia-me e magoa-me se o fizerem muitas vezes. Até porque, se são meus amigos, são pessoas que eu tenho em elevada consideração.
Sabem aquela sensação de que a pessoa nem está a ouvir assim com tanta atenção o que estão a dizer, dado que tem uma atitude um tanto ou quanto vaga, e procura a primeira desculpa para se pronunciar e passar à frente a vossa história?
É isto. Deixa-me com um sentimento de frustração... De censura, a um certo ponto. Parece que os meus pensamentos não são válidos ou relevantes. Que sou mais um peão... Como qualquer pessoa que os quisesse ouvir naquele momento.

A menina que queria prendas


A minha querida mãe (sim, ela é mesmo querida) sempre se portou mal no factor presentes. Cresci sem esperar que a minha mãe me surpreendesse e, quando a questionava, as respostas variavam entre:
- "Prendas dou-te eu todos dias!";
- "Eu compro-te o que acho que eu te devo comprar, quando acho que te devo comprar".
Pimbas, embrulha e diz que é a tua prenda.
Lembro-me de ter recebido um rádio com microfone quando tinha uns 4 anos, no Natal, e... Se me ofereceu mais alguma coisa no Natal ou no meu aniversário, muito honestamente não me lembro. Claro que me comprou n coisas mas, lá está, importância às datas "especiais" não era dada.
Até que fui para a faculdade e um dia, estávamos no início de Dezembro, lhe disse que tinha contado às minhas novas colegas que ela não me dava presentes. Sentiu que tinha de provar um ponto e comprou-me uma mala cara que eu gostei. Surpresa? Zero. Esperar pelo Natal? Não. Mas ao menos a intenção estava lá.
Desde então, temos tido altos e baixos. Compra-me coisas que eu quero/preciso na altura dos meus anos e é a prenda (o que já me deixa muito feliz). Passámos das duas frases acima para:
- "Escolhe que a mãe compra";
- "Eu não sei o que é que te hei-de dar!!";
- "Mesmo que eu compre alguma coisa, tu dizes que os meus gostos estão estragados...".
A minha maturidade também mudou, não é? Tendo em conta que ela me obriga a pedir, não consigo que seja algo de que não preciso. Eu considero que as datas especiais são boas oportunidades para se dar algo mais fútil e não absolutamente necessário... Mas não consigo pedir.
Por exemplo, estávamos a ver a montra de uma ourivesaria e vi um relógio muito giro. Ela disse que mo comprava de prenda de anos e a minha reacção foi "oh, mãe, sabes que não preciso disso". Se ela simplesmente mo tivesse comprado, sem eu saber, eu ficaria super feliz com a "futilidade".
Ontem, no carro, a minha mãe voltou à carga. "Eu quero comprar-te uma prenda de anos, diz-me o que é que queres de prenda de anos". Isto em loop... Acabei por pedir/sugerir o bilhete para o Vodafone Mexefest, que eu já tinha decidido comprar. Não é estupidamente caro e, mesmo já sendo uma decisão minha, é algo que não é necessário e ela fica feliz por ser algo que eu quero.
É engraçado a forma como passámos de "prendas? és engraçada" para "por favor, deixa-me dar-te uma prenda". Ela continua a não ligar assim tanto ao assunto, mas percebeu que era algo que me fazia feliz.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Ahhhh, que paciência...!


Sabem aqueles fases em que andamos mais irritadiços? Tudo nos enerva e tornamo-nos pessoas sem paciência, com reacções terríveis. Às vezes, ando TÃO assim, que até a mim própria me irrito. Felizmente, como ganho consciência do assunto, tento prevenir-me de reagir exageradamente ou, em alternativa, pedir desculpa.
O problema é que não nos acontece só a nós, também acontece aos outros. Como tenho consciência de que é algo que nem sempre conseguimos controlar, procuro ser uma pessoa compreensiva e respeitadora e dar o tempo que a pessoa precisa para se recompor.
No entanto, nem sempre é fácil, mesmo com a consciência de que podemos ter telhados de vidro. Pessoas que andam super irritadiças e a descarregar nos outros a toda a hora (muitas vezes sem motivo para isso) dão-me cabo dos nervos. Não pela atitude em si, mas porque não são capazes de se pôr no meu lugar. Eu faço o esforço, mas o contrário não se verifica.
E quando o problema nunca está neles, mas só em nós???? Ai... Que vontade de esganar alguém.

(atenção, volto a dizer: eu também passo por fases assim. O problema reside apenas na atitude que se assume em relação a isso)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Entraves

Muitas vezes, é-nos fácil desanimar quando aparecem certos entraves. Um plano há muito ansiado que foi totalmente por água abaixo devido a um imprevisto ou a rejeição contínua nos nossos trabalhos de sono são apenas exemplos de coisas que nos podem deixar tristes, frustrados e com um sentimento de impotência máxima.
Eu sinto isto muitas vezes, não vou negar. Mas, cada vez mais, tento olhar para as coisas de outra perspectiva (por muito difícil que seja). Mesmo que os planos que tínhamos saiam completamente furados, porque é que a alternativa é necessariamente má? Mesmo não sendo perfeita, está de certeza a ensinar-nos algo.
Tenho sentido muito isto em relação ao mercado de trabalho. Já tive de mudar as minhas primeiras abordagens e de deixar as minhas prioridades um bocado de lado. Tremo de cada vez que penso que, um dia, vou ter de me virar para a minha opção número 7549.
Contudo, ando a tentar focar-me numa melhor forma de olhar para isto. Não é vergonha nenhuma não se atingir um objectivo. Vergonha é não lutar e desistir antes disso! Se for uma solução temporária que me dê outro tipo de competências, qual é o problema (para além de achar que não gosto disso, ups)? Às vezes, os caminhos alternativos também conduzem ao objectivo final e, pelo caminho, aprendemos uma coisinha ou outra. Isso também é importante.


(ou, pelo menos, é nisso que eu quero acreditar)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Marcos importantes que valem a pena ser mencionados

Quando algo correr mal na vossa vida, não pensem nas coisas maravilhosas que existem e que já vos aconteceram. Não se centrem no que de bom têm nem em como podem fazer melhor. Tenho uma melhor e muito mais gratificante sugestão. Pensem que, depois da entrevista que acabei de ter, NADA neste mundo poderá ser pior e, por isso, vocês são felizes.
Detalhes? Entrevista para uma grande empresa a nível mundial. Mas não presencial, não por Skype... Maravilha! Com um robot! Pelos vistos isto agora é moda, gravarmo-nos a dizer merda. E não, não foi uma entrevista para stand-up comedy, por isso não era suposto dizer tanta merda como disse. O pior de tudo é que eles são uns filhos da mãe sádicos, que nos obrigam a ver a nossa própria desgraça antes de passarmos a uma próxima pergunta.
Garanto-vos que se eu tivesse ficado com esses vídeos gravados no meu computador e vos mostrasse, a vossa vida ia melhor TANTO. É que nada pode ser pior do que aquilo. Nada.
O dia 05 de Outubro ficará na História. Não pela Implantação da República. Não por algo de bom que se tenha passado. Pelo dia em que me humilhei e submeti isso para outras pessoas.

* ia pôr aqui uma imagem ilustrativa, mas todas as que encontro são demasiado inspiradoras, com frases como "falhar é melhor do que nunca tentar" e "sonha alto e permite-te a falhar". Não é, de todo, o objectivo. O objectivo é mesmo transmitir o falhanço total *

P.S. Sabem o que é que é engraçado? NUNCA MAIS me poderei candidatar para vagas na mesma empresa, dado que os f.d.p. acham que é justo considerar TODO O MATERIAL que já foi usado noutras posições. Ah ah ah. Cabrões.

Coisas de que preciso

Um computador fixo. Ou um ecrã (muito) maior. Eu só queria um fucking ecrã! Estou a atrofiar TANTO por não poder ampliar e arrastar várias coisas ao mesmo tempo. #firstworldproblems

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Isto sim, um verdadeiro problema para a humanidade

Sabem o que é que representa um problema mesmo mesmo grande na minha vida? Quando estou com alguém e de repente sinto uma sensação estranha no nariz que, simplesmente, não sei o que é. Até pode não ser nada de especial, mas eu não sei... Quando já é a um nível insuportável, procuro assoar-me disfarçadamente, mas também não é uma escolha segura, porque 1) pode apenas piorar a sensação, 2) continuamos sem fazer ideia.
E é isto, senhores. É isto que me faz sofrer e achar que o mundo é injusto. O facto de não saber se tenho macaquinhos no nariz.

Ainda das minhas diferenças em ir para fora

O presente post não serve para me explicar, continua a servir como um desabafo. As minhas queridas leitoras mencionaram o lado emocional e financeiro da emigração... E isto fez-me reflectir, uma vez mais, no assunto. De certa forma, estão os dois um bocado ligados... Eu sei que não parece, mas passo a explicar.
Condição nenhuma financeira paga os momentos que, muitas vezes, perdemos com as nossas pessoas. O grande problema é que, muitas vezes, perdemo-las no próprio país. Como já referi, o mais importante para mim nem é o dinheiro (aliás, se fosse, estaria a limpar escadas na Suíça, porque se ganha quatro vezes mais do que como engenheira aqui!), é mesmo o facto de estar a fazer algo de que gosto. Dentro de Portugal, a única opção para trabalhar na minha área (não no que gosto mesmo, mas na minha área - o que já é bom) seria em Lisboa ou talvez no Porto, o que implicaria estar fora de casa.
"Mas é perto, podes ir ao fim-de-semana, é fazível". Será que posso? Tenho amigas da minha zona a trabalhar e viver em Lisboa que raramente vêm a casa porque o dinheiro não estica. Na semana passada, questionei uma delas sobre o facto de não vir votar, e ela disse-me que simplesmente não dava para gastar esse dinheiro. Depois de pagar casa, comida e transportes, pouco sobrava. Eu sei que no meu caso seria diferente, a minha mãe ajudar-me-ia... Mas o ponto não é passarmos a ser independentes? Isto revolta-me no nosso país.
Como estava a dizer, a parte emocional, no meu caso, está muito associada à parte financeira também. Sabem porquê? O que eu gostava mesmo mesmo era de pegar nas malas e atravessar o oceano. Nos Estados Unidos, há IMENSAS oportunidades dentro do que eu gostava de fazer. Mas, infelizmente, isso faria com que fosse impossível vir passar um fim-de-semana a casa... Ninguém quer pagar 800€ para tal, só em estadias longas é que faz sentido. Recentemente, preenchi o formulário de candidatura a duas vagas, uma em Boston, outra em Baltimore (penso). Antes de submeter, fechei a janela... Não consegui. O Skype e os telefonemas ajudam muito quando a diferença horária é de 1 ou 2 horas. Mais do que isso, não funciona... É melhor do que nada, claro que sim, mas não é bom.
Estas questões nem se levantam apenas por mim (que, indo sozinha, teria de passar pelas desvantagens que isso implica). Sou filha única, a minha mãe está "sozinha" e eu sinto esse peso. Os meus avós estão velhos e já não me resta assim tanto tempo com eles. Os meus primos estão a crescer e eu não acompanho. O meu namorado que, por muito que eu diga e aconteça que sou forte e independente, me custaria deixar noutro país a um nível incalculável. E os meus amigos... Ai, os meus amigos. De cada vez que vejo fotos, planos e coisas mais íntimas, só eu sei como me dói.
Por isso é que a Europa Central (não me interesso tanto pelo Norte e pelo Este, mas não está totalmente de parte) seria o meio termo que me permitiria fazer algo de que gosto e ter o estado emocional mais equilibrado. Possivelmente, o financeiro até ficaria pior no meio desta história toda... Gastar dinheiro para vir ao fim-de-semana a casa (de vez em quando, também não é sempre!) não ajuda à conta poupança :P Mas, da minha perspectiva, seria mais feliz.