segunda-feira, 31 de julho de 2017

Camone avec: c'est moi


Estamos no último dia de Julho, o que significa que amanhã entr'Agosto (já dizia o nosso rico Quim Barreiros). Eu, que sempre vivi na terrinha até aos 17 anos, habituei-me a ver mais gente nesta altura, que vinha a casa de férias. Nas terras maiores, vemos o oposto: a malta vai de férias e de repente está tudo vazio. Já na Santa Terrinha (e nas zonas de praia, mas não é disso que estamos a falar), o bom filho a casa torna, o que faz com que as aldeias fiquem muito mais movimentadas e animadas.
É então nesta altura que aquele flagelo de quem muita gente fala e faz piadas - os avec's - surge também. E quem são os avec's? Penso que toda a gente está ciente, mas nunca é demais relembrar que são os típicos emigras tugas, a trabalhar num país de língua francesa (França, Suíça ou Luxemburgo - é só escolher!), que vêm montados nos seus novos carros topo de gama para as férias na sua terra natal.
Oh, meus amigos! Eu estive nove meses na Suíça, vi-os com os meus próprios olhos. Na sua grande maioria, são tal e qual aquilo que nós descrevemos. Os filhos, já nascidos lá, são as Kátia e os Mikael desta vida (não esquecer os "k"). Vivem todos em comunidade e sabem onde está a loja portuguesa que vende o melhor bacalhau da terra. Enfim... O que já se sabe. E de facto chegam a Portugal e falam um português afrancesado, que falam. E misturam tudo. E dizem coisas que me fazem ter de controlar muito para não me rir. A primeira vez que ouvi o pai do meu namorado a dizer "epiçarias" em vez de "especiarias", quase me engasguei...
Porém, hoje, eu, i., amante da língua portuguesa, venho aqui defendê-los. Venho aqui defendê-los, porque já sei muito bem o que custa. Atenção: o meu conhecimento de francês é péssimo, aquele A1/A2, porque lá só falava inglês. Mesmo nas lojas, assim que viam que eu não me desenrascava, passavam para "do you speak english? yes? do you want a bag?", por isso não evoluí quase nada. No entanto, uma pessoa é bem educada, não é? "Bonjour", "merci" e "au revoir" não custam muito e habituei-me. No supermercado, com estas três expressões estava feito.
Resultado: cheguei a Portugal no Natal e, como boa tuga que sou, passei em Vendas Novas para comer uma bifana a caminho de casa. Assim que o empregado vem à mesa, saio-me com um "bonjour" que até ando de lado!! E não me digam "ah, mas com a tua mãe não falavas francês". Pois claro que não, mas a minha mãe é uma pessoa com quem NUNCA falei em francês... Agora o senhor empregado que chega à minha mesa é um desconhecido que me está a servir. Claro que quando chegaram as bifanas lhe disse "merci"... Já se estava mesmo a ver.
Isto não acaba aqui... Desde sentir confusão na rua por toda a gente à minha volta estar a falar português, a um sentimento estúpido de querer dar 3 (TRÊS!!!!) beijinhos às pessoas... Sinto de tudo. Já estou em Portugal há 20 dias e ainda tenho a sensação de ir ao terceiro beijinho (imagino que seja isto que as tias de Cascais sentiriam depois de uns meses só a dar-se com a plebe). Estou uma verdadeira avec e foram apenas 9 meses. Como se não bastasse, eu tenho uma agravante: o inglês do dia-a-dia no laboratório e na residência. Oh, meus amigos!! Eu só falava em inglês, só lia artigos científicos em inglês, só pesquisava no Google em inglês... Querem que eu pense nas coisas da minha área em português? Não dá. É um problema. Mais uma vez: eu criticava as pessoas que não conseguiam arranjar palavras na nossa língua tão incrível e iam buscar coisas inglesadas. Os Clã bem diziam que "Devia ser como no cinema / A língua inglesa fica sempre bem / E nunca atraiçoa ninguém" e é verdade.
Portanto, avec's do meu coração, eu apoio-vos (ou suporto-vos de tradução literal do inglês?) e defendo-vos. Pior do que vocês, estou eu, que sou uma camone avec. Rai's parta a miúda.

domingo, 30 de julho de 2017

Amizades desvanecidas

Falei recentemente sobre aquele sentimento de não nos identificarmos mais com alguém. Alguém que, durante muito tempo, foi uma pessoa importante. Uma das nossas pessoas. Isso dói... Dói muito de repente (ou não tão de repente quanto isso) percebermos que o que nos ligava - que julgávamos tão objectivo e eterno - já não existe.
Sabem o que é que também dói? Extrapolar isto para o que ainda não aconteceu, para o que ainda está por vir. Nós, portugueses, temos muito a tendência para sofrer por antecipação... É algo que julgo, principalmente quando fazemos disto uma constante, mas nem sempre é fácil de gerir e de evitar. Dou por mim a pensar nas minhas amizades, naquelas por quem tenho um carinho muito especial, que fazem parte de mim, de quem sou. Aquelas que me movem, que me fazem querer dar mais de mim, bem como estar lá para rir e para chorar... Enfim. Amizades dignas do termo. Penso nelas... E penso que, inevitavelmente, vamos acabar a pisar caminhos diferentes, a evoluir de formas muitas vezes opostas. Porque as experiências de vida nos moldam nesse sentido.
Normalmente, este tipo de coisas é compensado por momentos passados com as pessoas em questão... Com momentos tão simples quanto incríveis. E a coisa balança-se e lá se segue. Para o melhor e para o pior. O problema é quando isso não acontece... A coisa vai-se levando, que vai. Mas... Há um comentário com o qual não nos identificamos. Uma reacção que não percebemos. Uma atitude fora do normal para o que estávamos habituados. E chega a um ponto... Em que as pessoas importantes, especiais, que nos moviam e nos faziam querer dar mais de nós... São só pessoas normais de quem costumávamos gostar muito. O carinho fica. Mas é só isso.
E neste momento... Às 2h30 da manhã... Devia estar a escrever a tese ou a dormir. Mas estou genuinamente triste, com uma vontade parva de chorar, a sofrer por antecipação pelas leis da vida.

sábado, 15 de julho de 2017

Olá, sou eu, ainda te lembras de mim? (*)

Chamei "Lei da Inércia" a este blogue por um motivo. Abri este blogue tantas e tantas vezes nas últimas semanas, para depressa o voltar a fechar. O tempo escasseou para tudo o que queria ter feito nas últimas semanas na Suíça. Entretanto, já estou em Portugal há quase uma semana e também não tenho tido oportunidade de aqui passar, para escrever e para ler (que tão bem me faz).
Ficam então aqui umas palavrinhas, para saberem que estou viva, a tentar concentrar-me para escrever a tese, debaixo do calor fantástico do meu Alentejo (bendito ar-condicionado na sala! obrigada, mãe e avô). Vou dando notícias... Afinal de contas, uma pessoa tem sempre uns pensamentos meio vagos para partilhar.
Até lá:

(*) Ler ao som da música dos Tara Perdida.

Ai, minha nossa senhora do processamento de sinal

[se não querem ter pesadelos, não abram a imagem em formato maior]

Eu não queria poluir o meu blogue com coisas feias, mas quis partilhar a generalized total confusion (e não variation, como está escrito ali naquele título) que vai na minha cabeça.
Ah e tal, escrever uma tese não é assim tão complicado, afinal de contas, sabes o que fizeste... Pois, sim. Realmente, não sei se escrever é difícil... Dado que primeiro tenho de perceber por que ponta hei-de pegar nestas equações aterrorizadoras, que vão levar a outras equações ainda piores...
Ai, minha nossa senhora do processamento de sinal. Protege-me e guarda-me destas maldades.

domingo, 2 de julho de 2017

Atribuir nomes a pastas de resultados - um desafio

Aquele momento em que estou a ver um vídeo de uma aula para me ajudar a fazer o que preciso e o professor diz:
- Gravem numa pasta chamada "Analysis" e depois podem ter "Analysis1", "Analysis2" e por aí fora. Nunca gravem como "New_Analysis" porque o novo depressa fica velho e depois têm "New1", "New2", "New3"... E depois têm "Really_New", por isso evitem.
E eu ri-me. Muito. Se eles vissem os nomes das minhas pastas... Só para dar um exemplo, tenho uma pasta que termina em "ALL" porque introduzi todos os meus sujeitos. Depois, como tinha mais uma sessão que não estava à espera, a nova pasta passou a chamar-se "ALLALL" (para distinguir da que tinha todos os sujeitos, mas só de uma sessão). Agora que afinal tenho três sessões, há uma pasta que se chama "ALL123".
Conclusão: Atribuir nomes a pastas de resultados é sempre engraçado e nunca funciona na perfeição.

domingo, 18 de junho de 2017

Venham a mim, caras peças de roupa! Nada temam!

Andei a espreitar o site da Promod (dado que a mãe do meu namorado me disse que estavam com boas promoções...) e aqui ficam algumas das peças que me encheram o olho. Não me importava nada que viessem a correr (a diferentes velocidades, não precisavam de vir todas ao mesmo tempo) para o meu armário... O mais triste é que as que tinha de facto pensado em comprar já estão esgotadas no meu tamanho :( Lá terei de ir tentar descobrir outras... Que pena.

Pãezinhos sem sal, é o termo


Chamem-me nomes, atirem-me pedras, façam o que quiserem... Mas há certos blogues que lia e deixei de ler por serem tão - como é que hei-de dizer? - pãezinhos sem sal. Pois é. Ou porque são demasiado cor-de-rosa e a vida não é assim tão perfeita, ou porque estão sempre a falar do mesmo e uma pessoa deixa de ter paciência para ler apenas umas variações... Claro que há alturas em que estamos mais num determinado modo, porque a nossa vida está mais para aí virada, mas isso e tornares-te aborrecido (especialmente a longo prazo) é bem diferente.
Falo em blogues como podia falar na vida real. Quantas e quantas vezes não nos deixámos de identificar com algo ou alguém? Às vezes é muito triste de admitir, mas acontece, as pessoas evoluem em direcções diferentes. E isso é totalmente ok. Com os blogues é o mesmo... Não gostamos de seguir algo com a qual não nos identificamos, que não nos causa um bom momento, que não nos acrescenta em rigorosamente nada. Afinal de contas, isto é um hobby como outro qualquer...

Nota 1: estou plenamente ciente de que isso pode acontecer a outras pessoas em relação ao meu blogue.
Nota 2: se estás a ler isto, há uma grande probabilidade de isto não ser sobre ti... Não tenho conhecimento de ser seguida pelos bloggers que me fizeram sentir isto. Alguns são demasiado "grandes" para isso.

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Entre mil notícias sobre a tragédia que surpreendeu Portugal (já estamos habituados a incêndios, mas esta dimensão atinge-nos doutra forma) e algumas péssimas novidades que a minha mãe me deu sobre a saúde de alguém que nos é muito querido, o dia começou de forma desconcertante. Mesmo a milhares de quilómetros de distância, há coisas que não conseguem deixar de nos afectar...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Conhecer: uma dissertação. Kidding. São só pensamentos vagos


O meu estado actual, de ansiedade e stress, faz-me pensar demasiado na vida quando estou no autocarro. As minhas viagens passam-se entre ler um livro (ando demasiado cansada para isso), ligar à minha mãe (quando estou assim em modo rabugenta, em vez de falar com ela, reviro os olhos a tudo o que ela me diz e desligo) e mandar mensagens no facebook / whatsapp. Se nenhuma dela se verifica, facilmente me perco em pensamentos que podem ser de dois tipos: 1) profundos, sobre sentimentos, sobre a vida; 2) sobre tudo aquilo que tenho a fazer e não sei como e agora estou presa no autocarro e não posso fazer nada. Às vezes os dois tipos de pensamentos sobrepõem-se.
Hoje, houve um bocadinho de tudo. Não sei muito bem de onde, comecei a pensar no acto de conhecer uma pessoa. Seja no trabalho, numa saída, no ginásio, porque é amigo de amigo, na Internet... Enfim, não interessa. Conhecer. Não só aquele momento de "olá, sou a i., prazer em conhecer-te", mas todos os que se seguem. Tudo o que de facto te leva a consolidar o facto de realmente conheceres alguém, e não de teres visto apenas uma vez.
E no que é que eu pensei? Que somos frágeis em relação a isto. Se acabámos de conhecer a pessoa, que background é que temos para saber se tudo o que nos diz é verdade? Se for uma pessoa que nos cativa, de uma forma ou de outra, como é que temos a certeza que não estamos a ser atraídos por uma identidade falsa, por algo completamente vazio?
A resposta, meus amigos, é: não sabemos. Não sabemos, mas mesmo assim temos de confiar. Temos de acreditar que há pessoas boas neste mundo (por muito que seja difícil). Temos de acreditar quando nos dizem que têm um carro e um filho. Quando nos dizem que odeiam reggaeton e que adoram cheesecake. Claro que hoje em dia, com as redes sociais, há muitas coisas que nos saltam logo à vista... Mas a felicidade também pode ser fabricada.
Tudo isto para dizer que, por muito que nos protejamos, por muito que tenhamos dúvidas e razões para as ter, não nos podemos fechar no nosso mundo e viver sozinhos numa caverna. Afinal de contas, somos animais sociais... E, por muitas desilusões que tenhamos com as pessoas, vamos sempre ter mil coisas boas. (fala a pessoa que não acredita muito no bom lado das pessoas no geral)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Life goal


No Domingo passado, tive um dia como há muito queria ter. Na verdade, o que eu gostava mesmo é que todos os meus Domingos fossem assim. Parece que já foi há uma vida atrás, mas incluiu roupas leves e sandálias nos pés, piquenique ao pé do rio com o meu namorado e descontracção.
Acho que a palavra chave é mesmo "descontracção". Eu sou uma pessoa com tendência a sentir stress, pressão... A sentir que há tanto por fazer e não sei para que lado me virar. Por isso é que, num mundo ideal, todos os meus Domingos (ou, pelo menos um dia por semana) deviam ser passados assim. Sem pensar nas coisas más.
Além disso, acho que sou uma pessoa que acaba por fazer muitos planos indoor. Jantares, filmes, whatever... Também é bom, é um facto, mas passear ao ar livre dá-nos outra energia. Revitaliza-nos.
Como tal, aqui fica um objectivo para a minha vida futura: um dia de descontracção, de preferência ao ar livre. E quando eu digo descontracção... É descontracção mesmo. Sem pensar em tudo o que tenho para fazer.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O estado aqui da coisa


Penso que é geral: quando a realidade que nos envolve se sobrepõe à vontade de escrever e partilhar, os blogues ficam para segundo plano. Isso tem acontecido muuuuuiiiiito por aqui...
Tenho a minha apresentação final aqui no laboratório daqui a 3 semanas e não sei o que hei-de fazer à minha vida. Muito honestamente, não sei para que lado me hei-de virar.
As pessoas perguntam-me sobre o assunto e eu não sei sequer o que dizer, por isso devo parecer só uma tontinha. E é assim o meu estado actual: uma tontinha ansiosa.
(relendo este texto, nem me faz sentido... mas deve ser normal, afinal o meu cérebro está estupidamente confuso com tudo)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Insólitos na Suíça

Em dois fins-de-semana seguidos, pequenos episódios muito estranhos aconteceram. No fim-de-semana passado, em Berna, sugeri ao meu namorado que se pusesse num determinado sítio para lhe tirar uma fotografia com uma vista bonita. Estava eu a posicionar-me para lhe tirar a foto, quando um senhor que estava de costas me dá - literalmente - um coice. Eu pensei que tinha sido sem querer, estava pronta para pedir desculpa por estar a passar (reparem, eu peço desculpa por me tocarem indevidamente), quando ele se sai com:
- Eu não gosto que passem ao pé de mim, que estejam demasiado perto de mim para me assaltarem!
Oi?! Julgar uma pessoa na rua e agredi-la por achar que eu o ia assaltar? Podia ter olhado para mim e visto que eu tinha duas mãos num telemóvel e não tinha uma terceira para lhe tirar a carteira.
O segundo episódio foi neste Sábado que passou. Os meus amigos vieram visitar-me e fomos ao Château de Chillon. Tínhamos poucas fotos dos quatro, sem contar com selfies, e é sempre preferível pedir a alguém se queremos ficar com uma melhorzita. Aproximei-me de um casal e perguntei-lhe se nos podiam tirar uma foto... A senhora disse que sim e estava prestes a pegar no meu telemóvel, quando o marido (penso) pega nela e a arrasta para fora dali. Fiquei com uma cara de pau! Oi?! Como assim?! Eu tenho ar de quem lhes vai fazer mal por lhes pedir para tirarem uma fotografia?
Eu achava que tinha um ar de menina bem comportada que não faz mal a ninguém. Estou a ver que estou enganada.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Que vergonha


Peço desculpa aos meus fiéis seguidores, mas tenho algo muito importante e íntimo a confessar: sou uma mimada. Eu sei, eu sei... Pareço tão espectacular, é difícil acreditar que posso falhar desta maneira. Mas toda a gente tem direito a ter defeitos, desde que trabalhe neles, certo? Além de que a culpa de alguém ser mimado vem mais de trás... E é aqui que aponto o dedo às duas mulheres que me criaram. É verdade, tanta coisa com os casais homossexuais poderem ou não adoptar e já eu fui criada por (pelo menos) duas mulheres há mais de 20 anos. E elas falharam, por isso... (estou a brincar!!!)
Dizia eu que a culpa é delas... Pois claro que é. A minha mãe e a minha avó (mais a minha avó, diga-se) pouparam-me a muita coisinha aborrecida nesta vida. A partir dos meus 9, 10 anos, a minha mãe bem tentava que eu fizesse alguma coisa, mas ou 1) a minha avó vinha a correr e a dizer "deixa lá a menina, eu faço" (ainda hoje ela faz isso), ou 2) ela tirava-me as coisas das mãos porque não tinha paciência de me ver a falhar redondamente na minha tarefa.
Foi assim que, até aos 17 anos, nunca cozinhei, nunca tive de pôr roupa na máquina (mas não me livrei a lavar à mão, estender e apanhar roupa), nunca tive de passar a ferro. A ida para a faculdade fez com que isto tivesse de mudar e eu me tornasse um ser muito mais independente. Ainda assim, um ser "independente" que ia a casa e levava a roupa para a mãe lavar com a "desculpa" de que tinha coisas da faculdade para fazer. Como tal, o problema da roupa foi-se adiando, adiando... Claro que, nos entretantos, sei desenrascar-me com a coisa, mas nunca precisei de o fazer numa base regular.
Noutro país que não o da mamã, a grande preocupação chegou no que diz respeito ao passar a ferro. Pois é. Sempre fui uma naba... O que é normal, dada a pouca experiência que tenho. Agora imaginem sem uma tábua (estou numa residência, não comprei assim tantas coisas para empilhar no quarto, eu ter um ferro já não é mau), tenho de colocar a peça em cima da secretária e passá-la. Neste sentido, tenho de passar com as duas partes apoiadas, não posso simplesmente separá-las (eu bem tento)... E bem, senhores, é o caos. Tem sido uma desgraça todas as manhãs! Tiro um vinco dum lado para pôr outros bem piores noutro, a parte que não estou a passar fica ainda pior, queimo-me porque estou à pressa... Enfim. É uma confusão.
Sabem o que é que vos digo? Que saudades do Inverno. Camisolas de malha grossas e calças de ganga não precisam de ser passadas a ferro.

domingo, 28 de maio de 2017

Lovely Bern

Apesar de não ter ido a todos os sítios a que gostava de ir durante este ano na Suíça, não me posso queixar. Já fui a algumas cidades e lugares encantadores no meio das montanhas... Uma cidade que ainda faltava e que não queria deixar de lado antes de voltar era a capital, Berna.
Não tinha grande expectativas... É a capital suíça, mas é só a quinta maior cidade, pensei que se calhar não tinha grande coisa. Aliás, muitas pessoas diziam ser uma cidade aborrecida. No entanto, quando comecei a dizer aos meus colegas que iria lá, alguns disseram-me "vais adorar, é lindo!".
Não se enganaram... É mesmo uma cidade linda, que adorei. Gostei dos edifícios, das ruas, das torres, das igrejas, das vistas... De tudo. Planeei um dia com visitas sobretudo ao exterior dos edifícios, só queria visitar o Parlamento e ao Museu do Einstein. Pois bem... O Parlamento está sem receber visitas até algures ao meio de Junho (boriiiing!!) e verifiquei mal a hora a que o Museu do Einstein fechava, pelo que pagámos para andar a correr (só lá estivemos cerca de 40 minutos... não é, de todo, suficiente).
Andar simplesmente por Berna já é bastante bom. É mesmo uma cidade amorosa! Se derem um pulinho à Suíça e tiverem tempo, é sem dúvida um daqueles sítios onde passar um dia.


sábado, 27 de maio de 2017

Ainda o amigo rafeiro

Para terem uma melhor ideia do que estava a tentar explicar no outro post, vou relatar alguns dos acontecimentos com o Mike. Há coisas que eu acho extremamente normais e que qualquer pessoa pode e deve fazer quando está mais à vontade, nomeadamente:
- Olha, não tenho pão para amanhã de manhã porque me esqueci de comprar, dás-me um bocado?
- O meu sal acabou, posso usar o teu?
- Tens maionese?
Enfim, este género de coisas. Por muito que às vezes sejam sempre os mesmos a ceder as suas coisas, acho que não tem mal e é uma das coisas boas de se viver em comunidade. Aliás, às vezes cozinho com um rapaz lá da residência, e é muito na base de "olha, eu tenho isto e isto, tu tens aquilo, vamos cozinhar o prato X", ou "hoje cozinho eu, da próxima cozinhas tu". Funciona. É saudável. Mas voltando ao Mike...

Situação 1
Aqui há uns meses, eu estava a cozinhar algo com bacon e ele chega e diz com ar chateado:
- Se eu soubesse que tinhas bacon, tinha feito carbonara!
Oi?!?! Se tu soubesses que EU tinha bacon, TU partias do pressuposto que o podias usar?! Eu comprei-o para fazer algo específico que eu queria, mas tinha de to dar para tu fazeres o que tu querias. Ah, está certo. Onde está a tua noção? Não sei.

Situação 2
Esta situação é um acumular de muitas idênticas. Imaginem que estão morangos em cima da mesa. Ele começa a perguntar?
- Estes morangos são teus? De quem são estes morangos?
Se alguém disser "são meus", a resposta vai ser:
- Posso tirar?
Se ninguém responder, ele diz:
- Se não são de ninguém, vou comer na mesma.
Eu gostava de ver a reacção dele se ele chegasse à cozinha, onde tinha deixado a sua comida, e ver alguém a comê-la. A sério. Gostava.

Situação 3
Ontem à noite, eu estava a cozinhar e tinha numa frigideira cogumelos, pimentos e cebola. Ele chega e diz:
- Achas que me podes dar 1 ou 2 dos teus cogumelos?
- Desculpa, mas eu usei-os todos, não sabia que querias...
- Não, destes [da frigideira], posso tirar?
- Podes...
Eu disse que ele podia, mas eu estava com uma cara tão incrédula que não sei como é que ele não percebeu. Mais uma vez, onde está a noção do gajo? No idea. Pergunto-me se ele fará isto com outras pessoas, mas desconfio que não.

Situação 4
Esta situação são duas situações no mesmo dia. No dia anterior, ele perguntou se queria tomar o pequeno-almoço com ele e disse-me que não tinha pão. Eu disse que sim, para ele bater à porta do meu quarto, e que eu tinha pão mais do que suficiente para ele usar. Na manhã seguinte, torrámos 4 fatias de pão (duas para cada um), ele cozeu 2 ovos e eu pus nas minhas manteiga de amendoim, abacate e canela (não façam isto, eu segui certos conselhos e é nojento). De repente, ele começa a olhar para as minhas fatias com um ar de quem quer atacá-las (não estou a gozar) e diz:
- Parece delicioso!
Eu ignorei o comentário e o olhar, por isso ele tentou uma troca:
- Queres uma das minhas?
- Desculpa, mas não.
Ele limitou-se a comer o seu pão com ovo cozido. Passado um bocado:
- De quem são estes mirtilos?!
- São meus e eu ofereci-te, podes comer...
Mais uma vez, o que me chateou foi aquele ar de gula. God! Nesse mesmo dia, à noite, eu estava na cozinha com outra rapariga e perguntei-lhe se ela queria um pêssego. Ele apareceu, sabe-se lá de onde, e disse:
- Eu ouvi bem?? Disseste pêssego??
Oh. My. God. Sim, ouviste bem. Sim, eu dou-te a porcaria do pêssego. Mas e se parecesses menos desesperado?!

Situação 5 (e última)
Esta nem é uma situação, é a sua atitude que mais me chateia. Apesar de já a ter abordado, merece um ponto só para si, para realçar o quão é mau. Uma vez, uma senhora disse-me que a coisa que mais a chateava era ver crianças gulosas pelas coisas dos outros, que morria de horrores só de pensar que o filho dela poderia vir a ser assim. Com aquele olhar de gula em direcção ao que não é deles... E nem é por fome, porque isso é diferente. Eu não percebi... Hoje, graças ao Mike, já percebo. Imaginem uma pessoa que não para de olhar para o que vocês estão a cozinhar / comer, com ar de quem vai saltar e abocanhar aquilo tudo. É tão tão intenso, que te obriga a dizer "mas queres?" e a resposta nunca é não. E não é aquele cantinho para provar. É fazer uma refeição disso. Minha senhora, estou consigo. Vou criar os meus filhos para não serem assim.